Reunir grupos e assembleias sinodais ao longo do ano, «a diferentes níveis de pertença e vivência eclesial», tendo em vista identificar a Igreja de hoje, «as suas forças e bloqueios», bem como os desafios que se levantam e as mudanças que ainda urge fazer. É este o objectivo que caracteriza o Programa Pastoral 2025/206, dado a conhecer esta tarde pelo bispo da Guarda, José Miguel Pereira, que está há seis meses à frente da diocese.
O sucessor de Manuel Felício explicou que, oito anos depois da Assembleia Diocesana e seis anos após o trabalho da Comissão Diocesana para a Reorganização da Diocese, apresentado em 2019, era importante apresentar os principais traços que marcarão o novo ano pastoral. «Queremos fazer um Ano de escuta e discernimento, aplicando o método da “conversação no Espírito”, em ordem a identificarmos a Igreja que somos hoje», salientou José Miguel Pereira, acrescentando que, para isso, vai haver reuniões de «grupos e assembleias sinodais ao longo do ano, a diferentes níveis de pertença e vivência eclesial».
«Desde agora até final de Novembro, é a fase de mobilização dos principais agentes de pastoral (sacerdotes, diáconos, religiosos, leigos responsáveis de grupos, movimentos, associações e comissões) para identificarmos que grupos sinodais de proximidade se podem constituir (paroquiais, de várias paróquias, comunidades religiosas, Serviços diocesanos, movimentos, outros grupos de cristãos) e seleccionarmos os que poderão vir a ser os animadores ou facilitadores do funcionamento de tais grupos sinodais», informou.
No dia 30 de Novembro, haverá uma «vigília de oração dirigida a toda a diocese e especialmente aos facilitadores para lançar o caminho anual e a etapa de reuniões dos grupos de proximidade».
«Entre Dezembro e Fevereiro, com alguns subsídios preparados para facilitar a dinâmica de funcionamento dos grupos, cada um destes realizará alguns encontros», adiantou o bispo, especificando que o primeiro poderá ser para se ter «uma leitura da Igreja diocesana», seja nos aspectos positivos ou negativos. O segundo encontro terá em vista identificar «as propostas e concretizações» para ser «uma Igreja sinodal e corresponsável, nos âmbitos da comunhão, do governo e organização (pastoral, territorial administrativa), e da formação».
E o terceiro visa identificar as «propostas e concretizações» para ser «uma Igreja evangelizadora e missionária nos âmbitos da evangelização, da pastoral sacramental e litúrgica, e da pastoral sócio-caritativa».
Março será o mês para «recolha dos resultados do trabalho dos grupos de proximidade e preparação do documento de trabalho das assembleias diocesanas», estando definido que nos dois meses seguintes haverá duas assembleias diocesanas, a primeira das quais, a 18 de Abril, sob o tema “Para uma Igreja sinodal e corresponsável” e a segunda, a 16 de Maio, sob o tema “Para uma Igreja evangelizadora e missionária”.
Ainda em Maio, realizar-se-á uma iniciativa que se pretende anual, denominada “ADRO – Assembleia Diocesana “Reunir e Ouvir” e «consistirá numa assembleia aberta a pessoas e instituições da Igreja, e da sociedade, que habitualmente não estão presentes nas instâncias de consulta ou sentem que não têm oportunidade de fazer ouvir a sua voz», explicou o bispo, precisando que «esta primeira será subordinada aos desafios mais prementes para a Diocese da Guarda».
Em Setembro de 2026, haverá uma assembleia diocesana para aprovar um documento que, com base no trabalho recolhido nas referidas três assembleias diocesanas, definirá «a priorização das propostas a implementar e que virão a integrar o futuro Plano Pastoral Diocesano que será então elaborado».
«Temos missas a mais e missa de menos»
O bispo da Guarda deu ainda a conhecer que há «desafios já identificados e respostas já iniciadas que também terão a sua atenção», tendo enumerado cinco, a primeira das quais é o «cultivo da Espiritualidade na vida de todos, leigos, consagrados e clero», seguindo-se o «cuidado da liturgia da Reforma do Concílio Vaticano II, sem ligeireza, nem formalismo, nem paganismo». Sobre este desafio, evidenciou que «só assembleias litúrgicas, especialmente as eucarísticas dominicais, humana e espiritualmente densas, são capazes de conduzir ao encontro com Jesus» e «não com ideias ou caricaturas que fazemos de Deus, do sagrado e do religioso». «Temos missas a mais e missa de menos», sustentou, considerando que «isso tem desgastado os ministros e criado tensões com as comunidades».
O terceiro desafio é a «conversão das relações no horizonte da fraternidade e igual dignidade de todos» e o quarto é a «conversão dos processos e estruturas e participação alargada com sentido de Igreja». Na opinião do bispo, «só o dinamismo de cooperação orgânica permite superar lógicas de grupos e dialéticas de poder para construir a comunhão em Igreja», acrescentando que «a missão precisa de todos e não só de alguns». José Miguel Pereira entende que «o Bispo não decide sozinho mas com uma Cúria eficiente e Conselhos regulares. O Pároco é o pastor próprio e único representante legal da paróquia e de todas as realidades por ela tuteladas, mas os leigos participam corresponsavelmente com ele na gestação das decisões e na execução e gestão da vida pastoral e administrativa». O quinto desafio é o «cuidado das vocações no aprofundamento de uma fé, ela mesma, vocacional».
A terminar, o bispo da Guarda evidenciou que é preciso « olhar para as vocações femininas e de consagração ao serviço da Diocese», «olhar para o perfil dos candidatos ao diaconado permanente, para o serviço da caridade e da administração e não de substituição dos padres», e «acompanhar os namorados, os noivos, os recém-casados, os casais, as famílias, os que estão em crise, os que se separaram, os que refizeram uniões, os viúvos e sós». Para além disso, é, na sua opinião, também necessário olhar para a Liga dos Servos de Jesus e «cuidar do Guard’África, em processo de reactivação, preparando jovens para experiências missionárias na casa na Quilenda, Sumbe, Angola».
«Estas e outras atenções, muitas delas que surgirão das assembleias e caminho sinodais que viveremos, ocupar-nos-ão no próximo ano e alimentarão o programa pastoral que elaboraremos para os anos posteriores», concluiu José Miguel Pereira.




