Indo direto ao assunto, a frio, até posso compreender as razões que a VASP – distribuidora de jornais e revistas a nível nacional – apresenta para a partir de janeiro deixar de distribuir, em 8 distritos do interior do país, a papelada informativa que tanto gostamos de ler.
A VASP é uma empresa, logo tem como objetivo o lucro, o que a faz repensar os termos do negócio em que atua, seguindo as leis do mundo em que se movimenta e que se rege.
É por isso que compreendo a decisão, ainda que custe entendê-la e me preocupa que o faça.
Sou de um tempo em que os jornais vespertinos chegavam a Manteigas na manhã do dia seguinte, ou quando os matutinos chegavam na carreira à tardinha, enrolados em papel de jornal, zelosamente abertos pelo Sr. Zé e a D. Conceição na papelariada entrada da vila.
Chegavam (se chegassem) retardadas as notícias, dizíamos em tom de brincadeira, mas o cheiro da tinta no papel era mais forte que o atraso informativo.
O tempo ajudou a que também ao meio da serra os jornais fossem chegando a horas…
Não era um dever… era apenas um direito que o interior do país tinha!
Mas agora, esta recente comunicação da VASP vem-nos lembrar que afinal há um país com realidades diferentes e para o qual se olha com sobranceria a partir da capital.
É claro que cada vez há menos gente no interior e que cada vez se vendem menos jornais. Mas ainda há quem compre e não possa/deva ser privado de um direito, o de ser informado da maneira que mais gosta, privilegiando a leitura em papel.
Podemos sempre ir esperando que quem manda dê uma ajuda a que o retrocesso não aconteça, mas até aí teremos de nos lembrar que nas contas que nos tocam, os 8 distritos do país que correm o risco de não terem distribuição de jornais, elegeram no total 32 deputados.
Pois é… são menos 16 que Lisboa, 8 que o Porto ou menos 3 que os distritos de Aveiro e Braga juntos!
Se fôssemos uma balança, o desequilíbrio seria notório e o mar engoliria os distritos que a VASP não abandonará.




