Terça-feira, 10 Março, 2026
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Depois da tempestade

Não, não cederei à tentação de escrever sobre as eleições presidenciais, fazendo o rescaldo
dos resultados de uma noite que já lá vai!
Contudo, esta é uma crónica que atravessa esse momento vivido na ida às urnas, com um país trespassado pelo mau tempo que deixou “feridas” que levarão anos a curar.
Entre o votamos, não votamos, devíamos suspender ou continuar o processo eleitoral, dei por mim a pensar se não teria sido tudo mais fácil se a CNE (Comissão Nacional de Eleições) tivesse posto em prática o esquema usado nas últimas eleições para o Parlamento Europeu.
Nessa eleição, que como as presidenciais decorrem como se o país fosse apenas um círculo
único, onde os candidatos se apresentam a todo o universo eleitoral e não em listas distritais, cada eleitor podia exercer o seu direito numa qualquer secção de voto no país, não sendo obrigatório votar no seu local de recenseamento.
A logística então instalada, ainda que com alguns tropeções, permitiu que através da
digitalização dos cadernos eleitorais se permitisse a quem estava deslocado (qualquer que
fosse a razão) exercer o direito basilar da democracia, votar.
Em menos de 2 anos e numa época cada vez mais digital, quando tanto se fala da reforma do Estado, o esquema que correu bem nessas eleições europeias tinha tudo para voltar a ser utilizada neste ato eleitoral, admitindo que os meios tecnológicos que então serviram de suporte ao ato, continuarão por aí, não estando tão obsoletos como talvez se possa pensar.
O momento trágico porque o país passou, pode ser também mais um dos motivos para
repensar esta necessidade de votar no seu local de residência.
E se falamos em antecipação, devemos pensar que é chegada a altura de rever a lei eleitoral em muitas das suas “nuances”, pois isto de votar enquanto decorre a campanha eleitoral, não é bem a mesma coisa que o fazer após um dia de reflexão…
Mas por agora, deixemos o tempo acalmar para sarar as feridas abertas por estes meses
prolongados de invernia e nos traga um sol que aqueça terra e almas e seja farol do novo
Presidente.

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