Quarta-feira, 22 Abril, 2026
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Politécnico da Guarda vai coordenar projecto para proteger a cereja ibérica

O “Iberian_Cherry”, um projecto luso-espanhol para proteger a biodiversidade e aumentar a resiliência dos pomares de cerejeira perante as alterações climáticas, vai ser coordenado pelo Instituto Politécnico da Guarda (IPG), que irá reunir 12 entidades do sistema científico, tecnológico e do público das principais regiões produtoras de cereja da Península Ibérica.

«Através da implementação de soluções inovadoras e sustentáveis baseadas na natureza, e em Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), o projecto irá promover a produção de cereja com zero resíduos de fitofarmacêuticos», informa em comunicado a instituição, acrescentando que «os investigadores do IPG querem também influenciar o desenvolvimento de políticas públicas transfronteiriças que potenciem a valorização económica e produtos endógenos, como as cerejas de Resende e do Fundão, com Indicação Geográfica Protegida (IGP) e a cereja do Valle de Jerte, em Espanha, com Denominação de Origem Protegida (DOP)».

Na nota à imprensa, o IPG adianta que «a iniciativa será desenvolvida nas regiões transfronteiriças do Norte de Portugal, Trás-os-Montes e Alto Douro, e do Centro, região do Fundão» e que «as comunidades espanholas são as de Castilla y León e da Estremadura». O projecto tem a duração de prevista de dois anos e conta com o financiamento de cerca de um milhão e duzentos mil euros, provenientes do FEDER.

O IPG lembra que, «nos últimos anos, fenómenos como secas prolongadas e alterações nos padrões de precipitação têm afectado a produtividade dos pomares e a rentabilidade dos produtores, colocando em risco o desenvolvimento sustentável de territórios predominantemente rurais, com baixa densidade populacional e forte dependência da agricultura» e que «a queda de produtividade dos pomares de cerejeira tem também comprometido o desenvolvimento sustentável dos territórios, assim como o seu rendimento per capita».

Luís da Silva, investigador no IPG e responsável pelo projecto, refere que será implementada «uma abordagem inovadora que combina soluções baseadas na natureza e nas tecnologias para promover uma produção de cereja mais sustentável», adiantando que «entre as medidas previstas estão a monitorização em tempo real das condições climáticas e dos pomares, a implementação de práticas agrícolas resilientes às alterações climáticas e a promoção de sistemas de produção com zero resíduos de produtos fito-farmacêuticos».

No comunicado, o IPG informa ainda que uma das iniciativas do projecto será «a criação do Observatório Ibérico da Cereja, uma plataforma digital destinada à monitorização e partilha de informação sobre a produção de cereja nas regiões transfronteiriças» e que «será também criado um programa de ideação transfronteiriço para estimular novos modelos de negócio centrados na cereja e apoiar a criação de pelo menos dez novas empresas, promovendo a inovação no sector».

O projecto “Iberian_Cherry”, que é liderada pelo Politécnico da Guarda, conta com mais 11 entidades parceiras: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Universidad de Salamanca(Espanha), Universidad de Extremadura (Espanha), Município do Fundão, Município de Resende, Ayuntamiento de Piornal (Espanha), Junta de Extremadura (Espanha), Associação de Agricultores para Produção Integrada de Frutos de Montanha (AAPIM), Cerfundão, Cámara Oficial de Comercio, Industria y Servicios de Cáceres (Espanha) e Agrupación de Cooperativas Valle del Jerte (Espanha).

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