Quinta-feira, 11 Junho, 2026
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Publicado em DR anúncio da consulta pública para inscrição da «Dança da Morgadinha ― Cavalhadas de Teivas» (Viseu) no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial

Foi publicado hoje em Diário da República o anúncio da consulta pública, pelo prazo de 30 dias úteis, para efeitos de inscrição da «Dança da Morgadinha ― Cavalhadas de Teivas», do concelho de Viseu, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Como é referido no anúncio, os elementos constantes do processo de inventariação encontram-se disponíveis para consulta no site do Património Cultural, Instituto Público http://www.patrimoniocultural.gov.pt/ (Salvaguarda/Consultar/Consultas Públicas/2026). Os interessados em consultar o processo poderão fazê-lo presencialmente no arquivo da Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação, no Palácio Nacional da Ajuda, Largo da Ajuda (Ala Norte), em Lisboa. Como está estipulado pela legislação, o Património Cultural, IP, decidirá, no prazo de 120 dias após a conclusão da consulta pública, sobre o pedido de inventariação da «Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas».

A candidatura daquela dança que é um ex-libris das Cavalhadas de Teivas foi feita pela Associação Cultural Recreativa e Social Teivas (ACRST), em parceria com o Município de Viseu. «Todo o trabalho de investigação, recolha de materiais históricos e organização da documentação necessária para este reconhecimento foi desenvolvido pela nossa Associação, em estreita colaboração com a comunidade de Teivas», salienta a ACRST numa nota informativa publicada na sua página oficial do Facebook.

Como explica a associação no documento, a “Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas” consiste «numa manifestação de caráter cultural e social, que se realiza anualmente em Junho, por altura dos Santos Populares, e comemora especificamente o São João». «Trata-se de uma dança especifica inserida num cortejo, com cavaleiros a abrir o cortejo, carros alegóricos, bandas de musica, fanfarras, zés pereiras, bandas filarmónicas, gaitas de foles, ranchos folclóricos e grupos etnográficos», refere ainda a ACRST, acrescentando que «o desfile é feito pelas ruas da localidade de Teivas até ao centro de Viseu, no regresso a Teivas passa pela sede da Junta de Freguesia de São João de Lourosa». As Cavalhadas de Teivas saem à rua no próximo Domingo, a partir das 15 horas, com a promessa de (muita) animação, música e tradição.

No documento é também relatado um historial da vida da ACRST, que tinha sido criada em 1984 e as diversas actividades desenvolvidas, entre as quais «a realização anual de “workshops” para transmissão de todo o saber-fazer, especialmente para a elaboração dos exuberantes chapéus usados pelos “homens” na Dança da Morgadinha, assim como de toda a indumentaria usada pelos dançarinos».

A associação recorda que, em 2020 concorreu ao “Guiness Worl Records”, com vestido inspirado nos trajes da “Dança da Morgadinha”, tendo conquistado o recorde do maior vestido de dança tradicional, com 8,01 metros de altura. Salienta também que para a salvaguarda e protecção da identidade e especificidade da “Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas”, a associação considerou «relevante efectuar o estudo e pesquisa em volta da manifestação, tendo reunido diversa informação e documentação através do sócio e colaborador Rui Rodrigues».

No documento de candidatura, é relatado um historial da vida da ACRST, que tinha sido criada em 1984 e as diversas actividades desenvolvidas, entre as quais «a realização anual de “workshops” para transmissão de todo o saber-fazer, especialmente para a elaboração dos exuberantes chapéus usados pelos “homens” na Dança da Morgadinha, assim como de toda a indumentaria usada pelos dançarinos».

É ainda recordado que, em 2020, a ACRST concorreu ao “Guiness Worl Records”, com vestido inspirado nos trajes da “Dança da Morgadinha”, tendo conquistado o recorde do maior vestido de dança tradicional, com 8,01 metros de altura. Salienta também que para a salvaguarda e protecção da identidade e especificidade da “Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas”, a associação considerou «relevante efectuar o estudo e pesquisa em volta da manifestação, tendo reunido diversa informação e documentação através do sócio e colaborador Rui Rodrigues».

Dança da Morgadinha” é uma tradição identitária da comunidade da Freguesia de São João de Lourosa, particularmente da aldeia de Teivas

A Dança da Morgadinha-Cavalhadas de Teivas constitui «uma tradição emblemática e identitária da comunidade da Freguesia de São João de Lourosa, particularmente da aldeia de Teivas, não apenas da comunidade residente, mas daqueles que se encontram a residir em outros pontos do país ou no estrangeiro, e que se deslocam propositadamente para assistir e participar nos festejos». Refere a ACRST, «esta manifestação faz parte fundamental do seu património cultural, das suas vivências, dos seus valores e expressões artísticas», salientando que se trata de «uma tradição bastante arreigada, que, apesar de um período de interregno devido a várias condicionantes, conheceu uma revitalização que se expressou no esforço colectivo, para a qual contribuíram sem dúvida os agentes locais e a própria comunidade».

«No que respeita à representatividade histórica e espacial, há testemunhos que referem que marchas semelhantes existiram também em outras aldeias da freguesia, mas que se extinguiram com o passar dos anos, permanecendo esta tradição historicamente ancorada na comunidade de Teivas, com raízes que remontam ao séc. XVII, mais precisamente ao ano de 1653, a qual constitui um importante factor de identidade sociocultural não só de Teivas e Freguesia de São João de Lourosa, mas também abrangendo a cidade de Viseu, onde tem o seu palco principal», refere a ACRST.

A associação informa ainda que «consideram-se intrinsecamente ligados à Dança da Morgadinha-Cavalhadas de Teivas, como património cultural móvel, os acessórios de natureza material que contribuem para o seu carácter único e peculiar, logo os característicos chapéus dos homens, as sombrinhas das mulheres, os trajes peculiares dos homens e os fascinantes vestidos das senhoras, assim como os reboques dos carros alegóricos, e ainda as bandeiras que acompanham o desfile».

A ACRST refere ainda que, «apesar de Teivas ter como padroeiro São Sebastião, é pelos Santos Populares, em Junho, particularmente pelo São João, que as suas gentes saem à rua com maior entusiasmo, especificamente para celebrar a Dança da Morgadinha – Cavalhadas de Teivas, uma tradição secular que constitui uma manifestação de carácter socio-cultural desde 1653».

«O conhecimento e prática da tradição foi transmitida, até aos dias de hoje, de geração em geração, envolvendo a comunidade da aldeia e Freguesia de São Jõao de Lourosa, gente de todas as idades, dos mais novos aos mais velhos, todos participam, conforme a capacidade e a disponibilidade de cada um», evidencia a colectividade, acrescentando que «para a comunidade de Teivas e toda a Freguesia de São João de Lourosa a referida manifestação faz parte essencial do seu património cultural e social, das suas vivências, dos seus valores e expressões artísticas».

«Era costume no dia 24 de Junho, dia de São João, manhã cedo, a marcha percorrer as povoações da freguesia espalhando o colorido, a alegria e a animação. Esta manifestação desde os primórdios até à década de 60 do sec. XX, era só praticada por homens, em que para fazerem os pares da dança, metade deles se vestia com trajes de mulher, acompanhados por um cavaleiro, dois máscaros (homens com máscaras de madeira) e um “jazz” (grupo de músicos) e desfilavam pelas ruas das aldeias da freguesia, visitando casas e quintas senhoriais, onde eram recebidos com comida e bebida», conta a ACRST. Mas, «com a chamada dos homens para a guerra colonial e com a emigração, esta manifestação que era só de homens, deixou de ser praticada (há testemunhos que esta tradição também existia em outras localidades da freguesia, sendo que também se extinguiram pela mesma razão)».

Em 1984, num almoço de confraternização entre amigos de Teivas, «a nostalgia da Cavalhada falou mais alto e decidiram criar uma associação e reactivar a secular tradição da “Marcha da Cavalhada”, actual Dança da Morgadinha». O grupo viria a criar a associação e, em 1985, a marcha saiu à rua, que contou com uma forte participação de mulheres. Conta a ACRST que «não desfilaram somente pelas ruas da aldeia e freguesia, como era usual até à década de 60, decidiram ir até à cidade de Viseu mostrar a sua tradição e tal foi o sucesso que passou desde então a ser este o trajecto percorrido anualmente».

«Para enriquecer o cortejo que passaria a ir à cidade, foram incorporando carros alegóricos- artísticos e tradicionais, cavalos, grupos de zés pereiras, bandas filarmónicas, fanfarras, ranchos folclóricos, grupos etnográficos, gaitas de foles, gigantones, cabeçudos, grupos de música e a fechar o cortejo então a secular, distinta, exuberante e colorida, a principal atracção, com cerca de 25 pares dançantes, a Dança da Morgadinh», explica a colectividade, adiantando que «o cortejo na totalidade envolve cerca de 500 participantes, crianças, jovens e adultos, femininos e masculinos, provenientes de Teivas, das aldeias vizinhas da Freguesia de São João de Lourosa e dos grupos convidados de outras localidades».

Características da “Dança da Morgadinha”

A “Dança da Morgadinha” é uma dança tradicional centenária, sendo caracterizada pelos belos vestidos femininos e fatos masculinos de cores exuberantes, com os característicos e originais chapéus altos e coloridos à cabeça, numa dança de pares, harmoniosamente coreografada. O traje masculino consiste numa calça curta colorida, (geralmente verde, vermelha e amarela, cores da bandeira de Portugal) uma faixa vermelha à cintura, meias brancas rendadas, sapatos pretos, camisa branca, dois lenços tradicionais com franja entrelaçados no corpo, um chapéu enfeitado com papel multicolor, na mão direita um lenço de seda preso numa cana (figura-se como uma bandeira), e o ramo de cheiro na mão esquerda. O traje feminino, consiste num vestido festivo, colorido, comprido e rodado, na mão esquerda, a sombrinha e a saquinha, com cores a combinar com o vestido, e ainda o raminho de cheiro na mão direita.

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