No atual contexto estamos a viver quase aquilo a que nós chamamos uma situação de pleno emprego pois segundo os últimos dados referentes ao 1º semestre apenas 5.9% dos portugueses ativos – em condições de trabalhar – estão desempregados, um valor que vem descendo há vários anos, independentemente de quem nos tem governado. A oferta de empregos tem também vindo a crescer. Contudo, será que a situação é a mesma em todo o país? Em todas as regiões? E a situação nos municípios, será igualmente boa? Responder a estas questões é o objetivo deste texto.
No fim de junho do corrente ano havia no Continente português, 283.761 desempregados, 123.378 homens, 160.383 mulheres desempregados, isto segundo as estatísticas do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) e do INE (Instituto Nacional de Estatística) recentemente publicadas. Desses 117.920 são do Norte, 41.876 são do Centro, 99.964 são de Lisboa e Vale do Tejo, 13.878 são do Alentejo e os restantes 10.133 são do Algarve. Do total 169.859 estavam inscritos há menos de 1 ano, logo, são desempregados de curta duração, e 113.902 estavam há mais de um ano ou de longa duração. Desses. 26.603 eram jovens à procura do 1º emprego e 257.158 buscavam novo emprego, genericamente não jovens.
Na Região Norte e na mesma ordem temos: 117.920, 48.804 homens, 69.116 mulheres, 64.040 estavam inscritos há menos de 1 ano (curta duração), 53.880 há mais de um ano (longa duração), 10.236 procuravam o 1ºEmprego, 107.684 procuravam novo emprego. No Centro e na mesma ordem temos: 41.876 total, dos quais 18.612 homens, 23.264 mulheres, 26.049 desempregados há menos de um ano ou de curta duração, e 15.827 há mais de um ano ou de longa duração, 4.690 buscavam o 1º Emprego, 37.186 buscavam novo emprego.

Desemprego por faixas etárias e regiões
Os 283.761 desempregados do continente 27.850 são menores de 25 anos, 57.400 pertencem ao grupo etário dos 25-34 anos, 115.543 ao 35-54 anos e os restantes 82.968 têm 55 e mais anos. Na R. Centro dos 41.876 desempregados, 4.646 são menores de 25 anos, 8.732 pertencem ao escalão 25 a 34 anos, 17.074 são do escalão 35-54 anos, e 11.424 são maiores ou iguais de 55 anos.

Desemprego por nível de escolaridade e regiões do país
Por habilitações escolares dos 283.761 desempregados há 23.556 que têm menos que o 1º ciclo, 32.890 o 1º ciclo do ensino básico (CEB), 37.167 o 2º CEB, 52278 o 3º CEB, 104.176 o secundário e os restantes 33694 o ensino superior.
Na Região Centro os desempregados têm maioritariamente o ensino secundário, 40.014, depois são os do 3º ciclo do EB, 22.568, em seguida os habilitados com o 1º CEB, 17.893, depois ainda os do 2º CEB, 17726, a seguir os habilitados com o ensino superior, 13.934, e por fim os que têm menos do que o 1º ciclo do EB, 5695.
Desempregados e colocações mensais em junho de 2025 por regiões
Neste mês de junho 2025 inscreveram-se no continente mais 35.945 pessoas trabalhadoras, 15.509 homens e 20.436 mulheres. No mesmo mês de junho foram colocados 7.079, aproximadamente 20% dos inscritos no mês, dos quais 3.328 homens e 3.751 mulheres. Por sua vez, na Região Centro registaram-se, em junho, 6.106 desempregados, 2.673 homens e 3.433 mulheres e foram colocados 2.520, dos quais 856 homens e 856 mulheres.
Motivo ou causas do despedimento
As causas dos despedimentos registados no Continente e no mês de junho de 2025, 35.945, foram em primeiro por fim de trabalho não permanente 16370, depois por terem sidos ‘despedidos’ para 6.011, porque se despediram 2.551, por despedimento por mútuo acordo 1.529, por serem trabalhadores por conta própria 318 e por outros motivos 6.654, para além dos 2512 que estavam inativos, mas resolveram voltar a inscrever-se nas estatísticas.
As causas dos despedimentos registados no mês de junho de 2025, mas agora dos 6.106 desempregados na Região Centro, são, em primeiro, fim de trabalho não permanente (2.578), depois o ter sido ‘despedido’ (917), por se ter despedido (617), por despedimento por mútuo acordo (238), por trabalho por conta própria (42) e por outros motivos (1243). Isto para além dos 471 que estavam inativos e resolveram inscrever-se nas estatísticas.

Desemprego nos municípios da Beira Interior
Na chamada Beira Interior, um pouco alargada, constituída pelos municípios Aguiar da Beira, Almeida, Belmonte, Castelo Branco, Celorico da Beira, Covilhã, Fornos de Algodres, Fundão, Gouveia, Guarda, Idanha-a-Nova, Manteigas, Meda, Oleiros, Penamacor, Pinhel, Proença-a-Nova, Sabugal, Seia, Sertã, Trancoso, Vila de Rei, e Vila Velha de Rodão, o desemprego atinge 8.494 pessoas 47% são homens, 53% são mulheres, 57% procuram estão desempregadas à menos de 1 ano, e 43% estão há mais de 1 ano, sendo que 15% procuram o primeiro emprego e os restantes 85% outro que não o primeiro. O quadro ao lado mostra os valores discriminados pelos vários municípios. A negrito evidenciam-se alguns dos municípios da Beira Interior, como Castelo Branco, Covilhã, Guarda, Fundão, Seia e Sabugal, em geral os que apresentam mais desempregados.

Para terminar estas breves considerações parece-nos poder-se concluir que também estes municípios da Beira Interior e particularmente os mais pequenos estão com taxas de desemprego baixas, justamente porque, por inexistência de empregos nos seus concelhos de naturalidade acabam frequentemente, e por vários motivos, por ir viver, nas principais cidades e vilas da região, razão pela qual, se desempregados, passam a constar nas estatísticas desses locais de residência.
Os candidatos a emprego dos concelhos mais pequenos e mais rurais, apresar dos poucos empregos oferecidos, acabam muitos deles, por conseguirem trabalho maioritariamente nas IPSS/lares da terceira Idade aí existentes ou nas próprias câmaras municipais para onde, imensas vezes, são aliciados na esperança dos edis de que num futuro não muito distante possam retribuir-lhes com o seu voto em futuras eleições. É isto a democracia, assim se vai conseguindo algum emprego e assim se vão perpetuando no poder os nossos autarcas. Bem-dita limitação de mandatos.
Nos maiores centros, as Câmaras Municipais e as IPSS, os principais empregadores naqueles municípios, juntam-se aos empregos das Universidades, Politécnicos e algumas empresas, embora poucas, infelizmente.
José R. Pires Manso, professor catedrático, Universidade da Beira Interior. Responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social (ODES). Escreve de acordo com a nova ortografia.




