Como era inevitável, o tema dos incêndios que assolaram a região e o país foi o principal assunto abordado na reunião de hoje do executivo municipal da Guarda, durante a qual foi prestada homenagem e gratidão a todos quantos ajudaram no combate às chamas que assolaram a região e manifestado profundo pesar pelo falecimento de Carlos Dâmaso, ex-autarca de Vila Franca do Deão, tendo sido cumprido um minuto de silêncio.
Para o vereador do PSD, Vítor Amaral, «o Estado central, as autarquias devem assumir um papel de maior vigilância, de maior prevenção e de maior fiscalização em relação a quem prevarica relativamente à gestão inadequada da sua floresta dos seus espaços, pagando coimas quando não cumpre e deixando o terreno igual após a coima porque sai mais barato». E defendeu a necessidade de «uma política agrícola e ambiental».
Depois de recordar que o presidente da Câmara, Sérgio Costa, tinha afirmado no decorrer da reunião que, «ao fim de três anos, o Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela ainda não tinha passado do papel», Vitor Amaral considerou que «isso ilustra a “incapacidade” do Estado em implementar políticas públicas regeneradoras».
A vereadora do PS, Adelaide Campos, que também mostrou «solidariedade, gratidão e admiração» por todos quantos combateram os incêndios, considera que «a protecção civil, em geral, falhou, assim como falharam os planos de protecção de todas estas zonas e o que ainda se viu funcionar terá sido o programa “Aldeia Segura” que vem do tempo do governo socialista de António Costa, que permitiu às pessoas saberem o sítio onde se poderiam proteger».
A socialista aproveitou a reunião de hoje para sugerir que a empresa multimunicipal “Águas Públicas em Altitude” (que abrange os municípios de Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Sabugal) não contabilize o gasto excessivo de água nas freguesias afectadas pelos incêndios, uma medida que, como relembrou o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, tem sido recorrente neste tipo de situações, como aconteceu nos incêndios de 2017 e 2022, sendo que serão as autarquias a assumir esse diferencial.
Quanto às questões abordadas pela oposição, o presidente do município comentou que continua a defender «cada vez mais a necessidade de um pacto de regime para que sejam tomadas as medidas drásticas necessárias» tendo em vista «salvaguardar a vida dos portugueses».
Quatro vítimas mortais nos incêndios de Agosto
Daniel Filipe Esteves trabalhava para a Afocelca de Castelo Branco e no dia 19 foi mobilizado para o incêndio no concelho do Sabugal. A viatura em que seguia foi destruída pelas chamas. Daniel Esteves sofreu queimaduras graves em quase todo o corpo. Viria a falecer este Sábado. É a quarta vítima mortal dos incêndios que têm assolado o país nestas últimas semanas.
No passado dia 15, morreu Carlos Dâmaso, ex-autarca de Vila Franca do Deão (concelho da Guarda), quando combatia as chamas na aldeia de Pêra do Moço. Dois dias depois, um bombeiro da corporação da Covilhã viria a morrer na sequência de um acidente de carro quando se deslocava para um incêndio rural no Fundão.
Na Quarta-feira, morreu um homem, de 75 anos, no combate ao incêndio de Mirandela, Bragança, quando operava uma máquina de rasto. A vítima, natural de Contins, concelho de Mirandela, já tinha estado no combate ao grande incêndio de Pedrógão Grande, em 2017.




