Sábado, 13 Dezembro, 2025
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Primeiro debate entre quatro candidatos à presidência da Câmara da Guarda

O desenvolvimento económico, as acessibilidades, o futuro do Politécnico da Guarda, o turismo, a atracção de mais pessoas e o problema dos incêndios, foram alguns dos temas que marcaram o primeiro debate entre quatro candidatos à presidência da Câmara da Guarda, promovido pelo novo canal da Meo “Conta Lá” e transmitido ao final da tarde de Sexta-feira. Presentes estiveram Sérgio Costa (coligação “Pela Guarda (Nós Cidadãos/PPM), João Prata (coligação PSD/CDS/PPM), António Monteirinho (PS) e Luís Soares (Chega).

A começar o debate, moderado pela jornalista Catarina Fonseca, esteve o tema dos incêndios e as soluções que cada um dos pretendentes à cadeira maior da autarquia defende.

O socialista António Monteirinho falou na necessidade de uma «municipalização dos bombeiros» e a definição, a nível nacional, de um plano que vá de encontro às expectativas dos habitantes da região. O candidato da coligação PSD/CDS/IL, João Prata, considera que deve haver a preocupação de ser feita a limpeza da floresta durante o todo o ano e não apenas em determinada época. Por seu lado, Luís Soares, do Chega, defende «a criação de um corpo de sapadores municipais para fazer diminuir a carga combustível do território».

A atracção de pessoas e o futuro do Politécnico da Guarda

Quanto à atração de mais população, António Monteirinho considera que, atendendo à fraca captação de novos estudantes para o Instituto Politécnico da Guarda, «este é o momento de discutir» se o IPG «deve continuar a caminhar sozinho ou se deve entrar em parcerias com outras instituições», entre as quais, com a Universidade de Salamanca. O socialista aproveitou para dizer que é tempo de a autarquia e o IPG deixarem de estar «de costas voltadas».

Sérgio Costa rejeita as críticas e assegura que «todas as medidas que levem ao aumento de alunos no Politécnico da Guarda mas também à fixação dos alunos já formados na Guarda todas serão sempre benvindas». Recordou que o município está «a investir 4,5 milhões de euros numa nova residência para estudantes para Politécnico da Guarda, com capacidade para 128 camas, que em 2026 estará pronta», conseguindo, desta forma, «criar mais condições para que os alunos se fixem na Guarda». E evidenciou que «há outra necessidade» daquela instituição que é a construção de novas instalações para a Escola de Enfermagem, e, por isso, entende que devem «todos dar as mãos».

O autarca, que agora se recandidata pela coligação NC/PPM, considera que para inverter o ciclo de desertificação de regiões como o Interior, é preciso uma interligação entre três factores: emprego, habitação e atracção de pessoas. E a Câmara, na sua opinião, está a fazer esse caminho. «Nós conseguimos criar condições, com investimento púbico e privado, para a fixação de 1600 postos de trabalho», salientou Sérgio Costa, dando como exemplos, entre outros, os novos investimentos na Plataforma Logística, o novo hospital privado , a Unidade Especial de Protecção e Socorro e as duas novas superfícies comerciais.

Para João Prata, o Porto Seco é «uma grande alavanca para a região, como foi e é a Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial e o parque industrial». O cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS/IL defende que «é preciso casar esta áreas empresariais e envolver o Nerga e tudo o que tenha a haver com os apoios ao investimento» e à captação de investimento, «seja a nível local ou nacional, tem que ser reforçado para que estes territórios sejam atractivos naquilo que são os seus recursos endógenos». Na sua opinião, no que respeita a «uma boa parte» dos investimentos referidos por Sérgio Costa «ainda nem sequer foi lançada a primeira pedra» e recordou que o actual executivo «deitou abaixo o reforço da capacidade produtiva de uma empresa» e o surgimento de «uma unidade hospitalar privada», tendo aproveitado para fazer a comparação com a Covilhã onde estão a ser construídas duas unidade hospitalares privadas e na Guarda «ainda nem sequer» começou a ser construído o primeiro hospital privado, havendo, por agora, apenas um cartaz a anunciar essa obra.

Relativamente ao Politécnico da Guarda, João Prata entende que deve ser feita uma maior ligação entre a autarquia e aquela instituição, assim como com a Escola Profissional. Para Luís Soares (Chega) o IPG está «numa acelerado processo de degradação», justificando com o escasso número de candidatos que concorreram ao da Guarda comparativamente a outras instituições, como Bragança, Castelo Branco e Portalegre. Entende que devia haver «diálogo entre o poder local e o Instituto Politécnico». A propósito do Porto Seco, o candidato do Chega considera que não tem capacidade de expansão e defende que «a Plataforma Logística e o Porto Seco devia ser um uno».

Os “Passadiços do Mondego” e o “ar da Guarda”

No que respeita ao turismo, Sérgio Costa afirmou que será uma das prioridades, dando conta que a autarquia tem marcado presença nos diversos certames para atrair turistas para a Guarda e destacando os investimentos que estão previstos para os próximos quatro anos, como por exemplo a “Casa das Artes”, o “Centro Interpretativo das Judiarias de Portugal” e a “Casa dos Escritores”, «tudo isto no Centro Histórico». «Tudo isto para atrair mais pessoas, porque quem vem aos Passadiços do Mondego quer algo mais para fixar a sua estadia na Guarda», justificou. Não perdeu a oportunidade de referir que «a Guarda precisa de mais camas», dando como exemplo a necessidade de reabrir o Hotel Turismo, adiantando que está convicto de que «o Governo vai resolver o problema depois das eleições».

Ao ser questionado pela moderadora sobre o turismo na Guarda, o socialista António Monteirinho enumerou os dados sobre o números de turistas em várias cidades, algumas das quais de dimensão mais reduzida que a da Guarda, que «têm maior capacidade de atractividade do que a Guarda». «Isto significa que as políticas públicas municipais desenvolvidas ao longo destes 11 anos – Sérgio Costa é o responsável da governação destes últimos 11 anos – são um falhanço total e absoluto», sustenta, não deixando, contudo, de elogiar os Passadiços do Mondego.

Para João Prata (PSD/CD/IL), «o turismo é um bom exemplo de como se estava a fazer e como se deixa de fazer, porque há aqui, por parte do presidente [da Câmara] uma política de ziguezagues». Isto é, explicou: « de 2013 a 2017 foi o tempo de grande programação e de grande acção sob a liderança de Álvaro Amaro e 2017 -2019 ainda se manteve Álvaro Amaro como presidente e os Passadiços do Mondego é uma obra que nós devemos à população da Guarda mas muito pelo engenho de Álvaro Amaro». Acusou Sérgio Costa de não dar continuidade a diversas iniciativas, como por exemplo a Feira Ibérica de Turismo. Na sua opinião, «o que se verifica na candidatura do “Nós Cidadãos/PPM é uma coligação PPP – projecto político pessoal. Começou no PSD, foi independente e agora é partidário novamente».

No entender de Luís Soares, «passadiços fazem-se em todo o lado» e «a Guarda tem que ter algo diferenciador». «Para além da altitude ser única no país, tem o melhor ar e isso é um potencial que devia ser aproveitado e publicitado», defende o candidato do Chega.

Acessibilidades na Guarda

Quase a terminar o debate, ainda se falou da Linha da Beira Alta, que ainda está por reabrir na totalidade, mas foi a necessidade de uma melhoria das acessibilidades na Guarda que originou mais discussão. Para António Monteirinho, o que se tem visto são «anúncios em cartaz». «Um presidente que anunciou há quatro anos a Variante dos Galegos e a Variante da Sequeira (que já estava há seis ou sete anos protocolado com a Infraestruturas de Portugal), mas tudo ficou no cartaz», afirmou.

«Portanto, aquilo que o PS fará de diferente é que não vamos rasgar nenhum projecto e nem atrasar nenhum dos projectos essenciais, ao contrário do que fez o actual presidente da Câmara, como foi o caso do projecto da Urbanização do Cabroeiro», assegurou o socialista, aproveitando para anunciar que uma das apostas será a construção de um centro de congressos internacional multiusos.

Em defesa, Sérgio Costa acusou a oposição (PS e PSD) na Câmara neste mandato de chumbarem «os empréstimos para a Variante da Ti Jaquina», «para a construção de habitação» e o orçamento. Depois de criticar o facto de ainda continuar por reabrir na totalidade a Linha da Beira Alta, o candidato da coligação “Pela Guarda” informou que a Variante da Ti Jaquina será adjudicada dentro de dias, contrariando aqueles que durante estes quatro anos tudo andaram a fazer para deitar abaixo» e evidenciou a importância dos «acordos cimentados e reforçados» para a Variante da Sequeira, Variantes dos Galegos e para a requalificação da estrada Guarda-Sabugal, «três obras que são da Infraestruturas de Portugal».

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