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António Rocha, natural de uma aldeia de Seia, foi uma das vítimas dos atentados às torres gémeas

Há 24 anos, o World Trade Center (WTC), em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América (EUA), foi alvo de atentados. Dois aviões colidiram com as duas torres do emblemático edifício americano. Os ataques da Al-Qaeda no dia 11 de Setembro de 2001 mataram quase três mil pessoas, das quais cinco de origem portuguesa e uma delas do concelho de Seia. Durante alguns dias, após a queda das torres gémeas, os familiares e a população de Vila Verde, na freguesia de Tourais (Seia), viveram momentos de angústia e de incerteza, que viriam a ser depois invadidos por uma profunda tristeza ao terem a confirmação que um dos filhos da terra era uma das vítimas dos atentados. Hoje, completam-se 24 anos após a queda das torres gémeas.

Dos cinco portugueses mortos nos atentados, em Nova Iorque, uns trabalhavam no WTC, outros estavam «no sítio errado à hora errada» e quase todos perderam a vida a ajudar outras pessoas. António Augusto Tomé Rocha, natural de Vila Verde, uma aldeia do concelho de Seia marcada fortemente pela emigração para os EUA, faz parte da lista das vítimas. O senense, na altura com 34 anos, integrava a equipa da “Cantor Ftzgerald Securities”, empresa que ocupava os pisos 101, 103, 104 e 105 da torre norte, a primeira a ser atingida.

Casado e pai de duas crianças, o português trabalhava no piso 105 e já estava no escritório quando o avião chocou com o edifício. Ainda conseguiu telefonar para a mulher Marilyn: «Um avião bateu contra o World Trade Center, há fogo, muito fumo, mas não te assustes..». A mulher não compreendeu as últimas palavras e deixou de o ouvir. O corpo de António Rocha chegou a ser o primeiro, dos portugueses dados como desaparecidos, a ser resgatado dos escombros.

Foi aos dois anos de idade que, juntamente com os pais, abandonou Vila Verde (pertencente à freguesia de Tourais) em direcção a terras do “Tio Sam”. A notícia da sua morte foi recebida com consternação na pequena aldeia natal. Um desfecho que só veio confirmar o que o seu tio, José Correia Tomé, residente em Seia, já temia. «Estava a ver a televisão, quando deram as imagens do atentado no World Trade Center e vi logo que se passara o pior com o meu sobrinho. E que ele começava a trabalhar às sete da manhã», contou ao director do TB (na altura colaborador do jornal Público) José Correia Tomé, profundamente consternado. «Fiquei logo chocado e pressenti o pior, porque o avião bateu precisamente no mesmo lugar onde ele trabalhava».(cinco dias após os atentados)

Emigrante nos EUA durante 24 anos, tendo regressado definitivamente a Portugal há já algum tempo, José Correia Tomé acrescentou, nas declarações prestadas ao jornalista, cinco dias após os atentados, que conhecia perfeitamente o WTC: «Gostava de subir ao edifício para ver a paisagem e a estátua da Liberdade».

De início, temeu ainda que também tivesse acontecido alguma coisa à sua filha mais nova, que trabalhava no edifício ao lado do WTC, mas os receios desvaneceram-se quando, «passadas umas dez ou onze horas, chamou para cá a dizer que, com ela, estava tudo bem». Permaneceram as incertezas quanto ao paradeiro de António Rocha. Poucos dias depois, a filha de José Correia Tomé voltou a telefonar-lhe, informando-o de que já tinha aparecido o corpo e que se encontrava já na morgue. «E disse-me ainda que o meu sobrinho antes de morrer teve um desmaio e que o corpo estava intacto», adiantou.

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