Ei-la, a Época do Paleiolítico. Após o degelo dos últimos tempos, vão surgindo no
horizonte algumas das espécies refugiadas em busca da sobrevivência: ursos polares,
considerados os maiores carnívoros terrestres do planeta, pinguins, fundamentais para a
reprodução, raposas-do-ártico, conhecidas por seu pelo espesso e quente, que também é
usado como camuflagem, e os esquilos, quais lapas em busca de uma bolota.
Os efeitos desta descongelação, repentina em alguns dos casos, são visíveis sobretudo
ao nível da empatia, no “movimento silencioso de extensão dos lábios para os lados e de
elevação dos cantos da boca”, vulgo sorriso, de acordo com o Dicionário Priberam da
Língua Portuguesa, no abraço e na promessa do fazer o que ainda não foi feito.
Esta digladiação entre espécies, nas mais diversas arenas, nada mais são que combates
entre egos, braços de ferro sem músculo, em que as palavras são mais mortais que
espadas, e em muitos casos para quem os profere.
Discursos vazios de conteúdo, plenos de utopia, fazem lembrar os bobos da corte. Há
que divertir o público com malabarismos semânticos, em nome de um bem quase vez
menos comum. Mostrar os pontos fracos do inimigo para esconder a falta de soluções
exequíveis é a estratégia preferida destas espécies, provocando uma desconfiança na
corte e a debandada da massa crítica.
Existem excepções? Obviamente que existem, mas dessas não reza a história. Numa
sociedade que premeia a mediocridade e desvaloriza o mérito não seria de esperar outra
coisa.
“paleio”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-
2025, https://dicionario.priberam.org/paleio: Conversa. Lábia. Festas ou carícias interesseiras. Palavreado.




