Dar a conhecer a escavação arqueológica realizada, entre 1997 e 1999, na Capela do Antigo Seminário e Paço Episcopal da Guarda e mostrar, pela primeira vez, os materiais exumados das escavações, é o que o Museu e a Diocese pretendem com a exposição “Arqueologia de um lugar Sagrado – memórias escondidas da Guarda”, patente desde este Sábado e até ao próximo mês de Março no espaço ExpoEcclesia.
Nesta mostra, que foi hoje inaugurada no âmbito das Jornadas Europeias do Património, poderá ficar a conhecer uma resenha histórica da antiga capela do Seminário e Paço piscopal; descobrir espécimes de cerâmica, vidro e metal das épocas Medieval, Moderna e Contemporânea. Esclarece a organização desta exposição que, «não sendo possível apresentar os objectos arqueológicos inseridos na categoria metais, por dificuldades de vária ordem, a solução museográfica passou por expor fotografias dos referidos objectos».
Como é referido num dos painéis da mostra, o templo, edificado entre os séculos XVII e XVIII, era mais estreito, tendo posteriormente sido alvo diversas reformas ao longo dos bispados. As fundações, visíveis no local onde está patente a exposição, «estão localizadas sob a capela e integrava o conjunto arquitectónico formado pelo antigo Paço Episcopal e Seminário da Guarda, datável da primeira metade do século VII, implantado numa zona que corresponde a uma área de expansão a cidade da Guarda, já fora de muralhas onde, segundo Osório da Gama e Castro e Rita Costa Gomes, se localizaria a Igreja de São Ticolau, referenciada no século XIV».
«Em 1913, na sequência da Proclamação da República e da aprovação da Lei da Separação entre Igreja e Estado, o edifício foi confiscado e nele foram instalados vários serviços: um quartel e dependências da Caixa Geral de Depósitos», como é referido num dos painéis, acrescentando que, «em 1928, a capela foi devolvida à Diocese da Guarda» que ali instalou a Cáritas Diocesana, os organismos da Acção Católica e os Escuteiros.
Em 1997, no decurso da implementação de um projecto de recuperação do antigo Paço Episcopal e respectiva capela, edifício classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto-Lei 28/82 de 26 de Fevereiro, foram descobertas estruturas pré-existentes no decorrer das escavações arqueológicas.
«A intervenção arqueológica levada a cabo “não permitiu acrescentar muito ao que já se conhecia anteriormente, apenas confirmar algumas dessas informações, nomeadamente a ocorrência de obras de vulto no início do século passado, e que foram determinantes na pouca informação alcançada», como se pode ler num dos painéis, salientando que embora tenha sido «possível constatar que este espaço já havia sido utilizado antes da edificação Paço/Seminário, sem que, contudo, estas estruturas possam, de momento, ser relacionadas com a suposta Igreja de São Nicolau que se suspeita ter existido algures por este espaço».






