Sexta-feira, 12 Dezembro, 2025
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Polémica entre a empresa Tavares e a Câmara da Guarda por causa do fecho do lavadouro de lãs

A Sociedade Têxtil Manuel Rodrigues Tavares acusa a Câmara da Guarda de ter sido forçada a encerrar o último lavadouro de lãs do país com capacidade industrial, depois de a autarquia ter decidido tamponar o colector daquela unidade industrial, com sede na cidade, em Janeiro deste ano. A situação poderá levar ao despedimento de cerca de 75 trabalhadores, adiantou a Rádio F.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a empresa refere que, «contrariamente ao que veio a ser publicamente divulgado pela autarquia, esta decisão não resultou de qualquer ordem judicial, mas sim de um acto administrativo próprio, deliberado internamente».

Numa reacção a esta acusação, o presidente da autarquia e recandidato ao cargo, Sérgio Costa, lamentou que este comunicado tenha surgido a poucos dias das eleições autárquicas. Quanto ao tamponamento, o autarca disse àquela agência de notícias que o município «executou uma ordem do Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu e, portanto, tem de se cumprir uma decisão da justiça». Recordou que a decisão do executivo municipal foi tomada por unanimidade (PS, PSD e Pela Guarda), travando assim o foco de poluição ao fim de 24 anos.

Petição “Pela Valorização de Toda a Fileira da Lã em Portugal” conta com 7.840 subscrições

Na defesa da valorização da fileira da lã, a Associação de Produtores Agropecuários lançou uma petição que conta já com 7.840 assinaturas para levar o assunto à Assembleia da República. No documento solicitam «a criação e implementação de uma estratégia nacional para a valorização da lã, envolvendo os ministérios da Agricultura, Economia, Cultura, Ambiente e Turismo», «a criação de incentivos específicos para a transformação local da lã, através do apoio à instalação de pequenas unidades de lavagem, fiação e fabrico de produtos» e «a criação urgente de um lavadouro de lã em território nacional, assegurando o primeiro passo essencial para qualquer cadeia de transformação».

Querem ainda que seja valorizada a lã «como produto ecológico e biodegradável, reconhecendo o seu papel na economia circular e nos objectivos de sustentabilidade», assim como «a inclusão da lã nos apoios à agricultura » e «à promoção e comercialização da lã portuguesa, tanto no mercado interno como na exportação». No documento, defendem ainda também «a integração da lã em programas educativos, turísticos e culturais, como forma de reforçar a sua importância histórica e identitária» e «a criação de uma certificação de “Lã Portuguesa”, que assegure a origem, qualidade e sustentabilidade do produto».

Têxtil Tavares remonta ao início do século XX

Como se pode ler na página oficial da popularmente conhecida “fábrica” Tavares, «o início desta empresa familiar na actividade têxtil remonta ao início do século XX. Teve origem numa pequena manufactura situada na freguesia dos Trinta, pertencente à família Robalo da Fonseca. No rio lavavam-se as lãs que depois de preparadas eram transformadas, em teares manuais, em cobertores tipo papa. Manuel Rodrigues Tavares, por casamento com a herdeira Maria José Robalo da Fonseca, vai impulsionar a manufactura dos Trinta transferindo posteriormente a actividade para a cidade da Guarda».

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