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Fecharam «por tempo indeterminado» as salas de cinema Cineplace na Guarda

As quatro salas de cinema Cineplace do centro comercial La Vie encerraram este Natal. Oficialmente, a Widerproperty, empresa gestora do centro comercial, informa, num comunicado colado no tolde da entrada do cinema, que será «por tempo indeterminado, por motivos técnicos e operacionais da própria empresa que detém a marca Cineplace». Ao que o jornal sabe, poderá surgir uma reestruturação do espaço, desconhecendo-se se manterão ou não as quatro salas ou se haverá uma diminuição. O TB solicitou mais informação à Cineplace, mas até agora não houve qualquer resposta por parte de quem explora aqueles espaços de exibição cinematográfica.

Desde a abertura do centro comercial (na altura com a designação de Vivaci) em 2008 que funcionavam quatro salas de cinema sob a alçada da Nos Lusomundo, tendo encerrado em Junho de 2016. Um mês depois, as salas viriam a reabrir sob a alçada do Cineplace, impedindo, assim, que a Guarda ficasse novamente sem espaços exclusivos para a exibição de filmes, como tinha acontecido em 1987, quando fechou portas o emblemático “Cine-Teatro da Guarda” e, em 2006, com o Cine-Estúdio Oppidana.

Informação colocada no tolde que cobre a entrada para a zona do cinema

Seis salas de cinema no Fórum Viseu fecharam em Setembro

A crise neste tipo de negócio em Portugal tem-se avolumado nos últimos meses. Desde o início do ano e até Outubro, Portugal já tinha perdido 37 ecrãs de cinema e antes do final de Dezembro poderão chegar a um total de 46, como noticiou recentemente o jornal “Público”, fruto do encerramento dos multiplex, ou conjuntos de multisalas, da Nos, Cineplace e UCI nas localidades da Maia, Vila Nova de Gaia, Viseu, Tavira, Guia, Seixal e Funchal.

Em Outubro, a agência Lusa tinha noticiado o fecho dos cinemas do MaiaShopping e do Tavira Grand Plaza, ambos da Nos Cinemas. Vieram depois a fechar, em Setembro, as seis salas do Fórum Viseu, também da Nos Cinemas. Viseu contava até essa altura com três recintos, responsáveis por levar cinema a 77.501 espectadores; em funcionamento estavam apenas dois, explorados pela Nos, precisamente as seis salas do Fórum Viseu e as restantes seis no shopping Palácio do Gelo; o terceiro recinto contabilizado pelo ICA é o Cinema Ícaro, encerrado desde 2005 e alvo de várias iniciativas de cidadãos apelando à autarquia para que fosse reactivado.

Até ao final de 2024, segundo dados reportados ao Instituto do Cinema Audiovisual (ICA), existiam 174 concelhos portugueses sem sessões de cinema. Questionado pelo jornal “PÚBLICO” em Outubro sobre a sua posição perante este encolhimento da oferta e aumento de assimetrias regionais, o ICA respondeu que estava a acompanhar a situação da exibição e manifestou a convicção de que “a solução terá de envolver não só o Estado central através da administração indirecta do ICA, mas também os poderes locais”, conforme cada “situação concreta”.

Sobre se o fecho de algumas salas reflecte desinvestimento em áreas menos povoadas, por exemplo já com falta de cinema comercial, a Cineplace respondeu àquele diário nacional com um taxativo “não”. Embora volte à questão do cenário pós-pandemia, mas na óptica dos donos dos espaços, referindo “alterações na propriedade dos cinemas e na estratégia dos actuais proprietários que pontualmente colocam desafios adicionais aos exibidores”.

(Seguem-se dados estatísticos do ICA publicados no relatório anual 2025)

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