O Sistema Nacional de Saúde (SNS) está sob pressão e a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda não é excepção, tendo a administração da ULS tido necessidade de «activar a fase 2 do plano de contingência do Serviço de Urgência do módulo de Inverno» e a «desmarcar as cirurgias electivas de doentes não prioritários», dada «a elevada necessidade de internamentos».
Fruto da actividade gripal e da quantidade de infecções respiratórias, o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda está «muito pressionado», tendo havido necessidade de «activar a fase 2 do plano de contingência do Serviço de Urgência do módulo de Inverno. Ou seja, dada a elevada procura e elevada necessidade de internamentos estão a ser desmarcadas as cirurgias electivas de doentes não prioritários», informou o director dos Cuidados de Saúde Hospitalares, Nuno Sousa. Para além disso, adiantou, «a partir de hoje, é possível terem de ser desmarcadas algumas consultas para deslocar os médicos que estariam a fazer essas consultas para prestarem ajuda ao Serviço de Urgência».
«Neste momento, o serviço de Medicina Interna vai assegurar a ajuda e vai garantir a observação de alguns doentes também no serviço de Urgência, mesmo não estando escalados», afirmou, adiantando que «o pico de acesso às Urgências por causa da gripe terá ocorrido este fim-de-semana». O dirigente espera que a procura comece agora a descer e aproveita para chamar a atenção da população para a necessidade de «não baixar as defesas e manter em vigor a etiqueta respiratória», uma vez que «tradicionalmente a distribuição da gripe pode ter a forma de um ou dois picos». «Quem está doente deve tentar proteger-se a si e aos outros principalmente para tentar evitar o contágio», realça.
«Para além disso, felizmente foi possível elaborar protocolos com instituições fora da ULS e vamos ter camas de retaguarda quer na ABPG [Associação de Beneficiência Popular de Gouveia] quer na Casa de Saúde Bento Menni, na Guarda e, porventura, vamos conseguir libertar algumas camas hospitalares de doentes que estão a aguardar ingresso na rede de cuidados continuados», informou Nuno Sousa.
No entender do director dos Cuidados de Saúde Hospitalares, tendo em conta esta situação e «também fruto da flutuação das altas [hospitalares], é expectável que a partir de amanhã melhore um bocadito porque ocorrerá mais altas». «Muitos dos problemas que estamos a viver estão dependentes do que foram as festas, do que foram os feriados e do que foi este fim-de-semana», justificou Nuno Sousa, que considera «ser «expectável que, em cerca de dois dias, tudo comece a melhorar».
Em declarações aos jornalistas à margem da sessão de boas vindas aos novos 27 médicos internos, a presidente do conselho de administração da ULS da Guarda, Rita Figueiredo, fez também o apelo às pessoas para «deixarem para a Urgência o que efectivamente é urgente». «Muitas vezes as pessoas que acorrem ao Serviço de Urgência poderiam perfeitamente encontrar os melhores cuidados de saúde junto dos cuidados de saúde primários, que têm equipas preparadas e especializadas para dar todo o apoio e deixar efectivamente para a urgência aquilo que é urgente», frisa a dirigente. E recorda que «muitas vezes, as pessoas acabam por esperar mais tempo do que aquilo que poderiam ter de esperar se fossem aos cuidados de saúde primários, permitindo que outros que precisam pudessem ser vistos em tempo útil». E reafirma o apelo para que as pessoas «procurem, em primeira linha, o seu centro de saúde, a sua USF [Unidade de Saúde Familiar], o seu médico de família, liguem para a Linha de Saúde 24 e, se de facto entenderem que é urgente ou não tiverem outra possibilidade, que corram a Urgência».





