A Guarda ficou, uma vez mais, sem cinema após encerramento das quatro salas de cinema no Centro Comercial La Vie.
Como noutras capitais de distrito, a gestão comercial seguiu a máxima economicista da lei da oferta e da procura.
Há muito que os cinemas por esse país fora vêm fechando, numa agonia que nos faz lembrar as cenas finais do filme “Cinema Paraíso” quando Alfredo morre e Totó regressa para encontrar a velha sala de cinema perto da demolição para que aí se instalasse um Centro Comercial.
Ironia do destino, as grandes salas de cinema do nosso país funcionam hoje nas capitais de consumo e, no caso da Guarda, como noutras cidades, nem essa alavancagem serviu a que o correr das fitas se mantivesse para gáudio dos amantes da sétima arte.
Ali quase ao lado do “mamarracho” onde as fitas pararam de correr em 1987, jazem as paredes, carregadas de conversas, críticas, namoros, suspiros e outros que tais, do velho cine teatro que nunca mais assistiu aos dias de glória vividos num tempo em que o cinema era motivo para sair de casa.
À época ainda não havia “streaming” e o mais parecido eram as cassetes de vídeo que começavam a surgir e tiravam espetadores às salas, ainda que a preocupação da oferta cultural fizesse nascer salas mais pequenas e acolhedoras.
Nos concelhos mais pequenos, nem assim o cinema se mantinha… e por isso a gestão municipal avançava com a programação cinematográfica para não deixar morrer uma arte e trazer os filmes mais recentes, que demorariam sempre algum tempo até poderem ser visionados.
A Guarda pode viver sem cinema e as últimas fitas comerciais?
Talvez possa…, mas decerto continuará a ser uma cidade em perda.




