“Vemos, ouvimos e lemos…” o que as notícias nos trazem de um mundo nitidamente em
convulsão e “não podemos ignorar”.
O mundo em que vivemos hoje, lembra-nos um outro tempo, no século passado, em que a
morte dominou na sequência de uma guerra nascida de ódios, egos inflamados e vontades de dominar o mundo.
Talvez não tenhamos aprendido nada… ou não tenhamos ensinado história como devíamos,
senão saberíamos que durante séculos a “glória de mandar” ou simplesmente a “vã cobiça”
serviram de mote a que o homem se destruísse a si mesmo, numa clara alusão à expressão latina “homo homini lupus est”.
Quando hoje olho para as imagens de violência que grassam nos quatro cantos do mundo
recordo as palavras de Augusto Gil na Balada da Neve “…mas as crianças Senhor, porque lhes dais tanta dor?!… Porque padecem assim?!… “
E não se trata apenas daquela dor causada pelo caminhar na neve, de pés descalços e com frio, o que pode acontecer nalguns casos, mas sobretudo da fome, do afastamento da família ou da sua perda e do direito que lhes é vedado de serem crianças.
As mesmas razões que, há décadas atrás, trouxeram para Portugal muitos meninos que, após a segunda guerra mundial, encontraram aqui, durante meses, um lugar onde os rigores do pós-guerra se diluíam em famílias de acolhimento.
Vinham magros, com traumas das vivências sofridas, mas o sol que encontravam aqui faziam sorrir os olhos claros e brilhar os cabelos loiros dos que ficaram conhecidos como Meninos Cáritas.
Eram sobretudo austríacos, os que chegaram então a Manteigas. Aqui fizeram amigos que,
ainda hoje, deles falam com saudade e os gostariam de rever.
A guerra chega sempre mais longe do que podemos imaginar!




