Desde hoje e até 4 de Abril poderão ser apreciados na Galeria Espaço#4, no Museu da Guarda, diversos trabalhos de Mário Carvalho, o artistas plástico que é muito conhecido pelos seus cadernos, de formatos diversos, que são verdadeiros diários visuais onde desenha e interpreta, em tempo real, cenas e situações do quotidiano. A exposição “Riscos imperfeitos bem feitos”, que teve a curadoria de Carlos Adaixo, reúne um conjunto de trabalhos que Mário Carvalho, hoje professor aposentado, tem vindo a desenvolver nas últimas décadas.
Natural de Casal de Cinza (Guarda), Mário Carvalho tem participado em diversas iniciativas culturais e exposições colectivas com outros artistas plásticos da região, incluindo acções de pintura e desenho ao vivo, nas quais apresenta trabalhos relacionados com o património artístico e urbano local.
Como refere o Museu da Guarda no folheto da mostra, a produção do artista plástico «distingue se sobretudo no desenho e na aguarela, técnicas através das quais explora com ampla liberdade expressiva, os temas que o mobilizam, construindo uma linguagem visual própria e facilmente reconhecível». E acrescenta que «a cidade da Guarda ocupa um lugar recorrente na sua obra, surgindo simultaneamente como tema e cenário. Locais, paisagens e atmosferas urbanas são predominantemente representados como reflexo da memória, da vivência e do carácter do território».
No entender do curador da exposição, «o mundo que o Mário pinta é mais alegre e rico do que a, por vezes, fria e objectiva realidade» e que a sua arte «prevalece, por isso, pelo afecto que lhe vem de dentro pelas coisas que regista, pela quase compulsiva necessidade de o fazer, sem outra motivação que não seja o amor pela Arte».
Carlos Adaixo recorda que, aquando da residência artística do SIAC – Simpósio de Arte Contemporânea, e sem que os participantes se apercebessem, Mário Carvalho «esboçou em traços únicos cada um dos artistas em actividade». «Há quem o faça com uma máquina fotográfica; o Mário fá-lo graças à sua necessidade de registar o que vê e ao inseparável estojo de aguarelas que, num toque de magia, saca do bolso e que o acompanha quase sempre», conta o curador da mostra, acrescentando que, «mesmo quando isso não acontece, guarda na memória os momentos vividos e, mais tarde, no papel ou no bloco, surge uma realidade aguarelada de cores vivas, tantas vezes mais interessante e rica do que a realidade fria de uma foto». Na sua opinião, «é nisso que reside a especificidade do traço do Mário: não ficar preso a um traço recto, a uma geometria firme, a um olhar realista, a uma vontade de copiar simplesmente o que vê».









