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Investigadores de cinco instituições de Portugal e Espanha galardoados com o “Prémio CEI- ITT” 2025

A cestaria de Gonçalo e as suas potencialidades no presente é o objectivo de um dos cinco projectos hoje galardoados pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI) com o “Prémio CEI – Investigação Inovação e Território – IIT” 2025, que «visa apoiar trabalhos, projectos de investigação e outras iniciativas numa dimensão inovadora, contribuindo para divulgar estudos, experiências e boas práticas que concorram para reforçar a coesão, a cooperação e a competitividade dos territórios transfronteiriços e de baixa densidade». A sessão de entrega dos prémios decorreu esta manhã na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda, tendo, na ocasião, Rui Jacinto, membro da comissão executivo do CEI, em representação da Universidade de Coimbra, colocado a possibilidade vir a ser feito uma grande conferência que envolva todos os premiados das várias edições para uma troca de experiências mais alargada.

O projecto “Cestos Biográficos: Uma Etnografia da Resistência, Memória Patrimonialização em Gonçalo”, de Maria Rafaela Matos Aleixo (Universidade Nova de Lisboa), foca-se na análise antropológica da cestaria naquela vila do concelho da Guarda. A investigadora espera que «este trabalho suscite novos usos da cestaria e uma valorização alargada desta actividade artesanal».

Como recorda Maria Aleixo, de acordo com o antropólogo Galhano, «Gonçalo foi o berço da cestaria fina do país e o local originário de todos os cesteiros em Portugal. Inicialmente, os cestos eram fabricados em oficinas domésticas, mas foi durante o salazarismo que passaram a ser fabricados de forma massificada em fábricas que se criaram na aldeia». «Com a Revolução dos Cravos, as fábricas que existiam encerraram e a comunidade cesteira juntou-se para fundar a “Cescoope – Cooperativa Operária de Gonçalo”, que se manteve em funcionamento até ao final do século XX», adianta. O aparecimento dos objectos de plástico, uma indústria de cestaria fora de Portugal mais competitiva e o crescente desaparecimento destes objectos do uso quotidiano, viriam a contribuir para uma crise no fabrico de cestaria e a cooperativa acabou por encerrar. «Actualmente, a actividade da cestaria é reconfigurada para novos projectos aliados ao design e à presença em museus, existindo desde o fecho da cooperativa uma intenção em fundar um museu de cestaria na vila», refere ainda a investigadora, que pretende com o estudo compreender como os produtores «reagem a estas transformações e re-significam o objecto num contexto de tensões entre o global e o local, a tradição e a modernidade».

Para além do projecto “Cestos Biográficos: Uma Etnografia da Resistência, Memória Patrimonialização em Gonçalo”, foram também galardoados com o “Prémio CEI – IIT” 2025 “MAORA-SIG: Mapeamento e análise da ocupação romana no Alentejo com Sistemas de Informação Geográfica”, de Pedro Trapero Fernández (Universidade de Cádis); “BioRanger – Corredores Ecológicos Digitais: Monitorização da Biodiversidade e Pastoreio Sustentável na Paisagem da Bazágueda”, de Rogério Pais Dionísio, Ana Paula Neves Ferreira da Silva, João Renato Caramona Belo Sebastião e Luís Cláudio de Brito Brandão Guerreiro Quinta-Nova (Instituto Politécnico de Castelo Branco); “ToyMobi – Aprender e Desenvolver”, de Mateus Alves Victorelli (Instituto Politécnico da Guarda); e “Geodiversidade, Geoturismo e Geoconservação: um estudo sobre o processo de implantação do Estrela Geopark, em Portugal e as repercussões na escala local”, de Regiane Silvestrini (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Universidade de Coimbra).

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