O Conselho Nacional da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) aprovou hoje, na reunião realizada na Guarda, um manifesto onde solicita audiências urgentes ao presidente da República e ao primeiro ministro para lhes evidenciar as dificuldades sentidas no imediato pelos “soldados da paz”.
No documento, é exigida a imediata renegociação com o Ministério da Saúde o acordo com o INEM e a revisão da tabela do transporte de doentes não urgentes.
Os bombeiros temem que, “sem um apoio imediato do Governo e dos partidos políticos com assento parlamentar, as associações correm sérios riscos de comprometer as suas capacidades financeiras e, consequentemente, a resposta operacional no socorro aos cidadãos”.
No manifesto é também solicitado ao ministro da Administração Interna que determine à Associação Nacional de Protecção Civil (ANEPC) a apresentação de um programa nacional de apoio ao voluntariado de acordo com as suas atribuições, em estreita ligação com a LBP.
Na abertura da reunião, que decorreu no quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses (AHBVE) no âmbito das Comemorações dos 150 anos da AHBVE, o comandante dos voluntários da Guarda, Marco Lucas, começou logo por evidenciar que “ao longo dos anos se tem assistido a um a diminuição do número de voluntários”. “Se queremos garantir o futuro deste sistema de protecção é preciso olhar para esta realidade com frontalidade, valorizando o voluntário, não ser apenas pelos discursos mas adoptar medidas mais e concretas e justas, que reconheçam o seu esforço e incentivam a permanência e quis atraiam novos elementos”, defendeu o dirigente.
O assunto também foi evidenciado pelo presidente da AHBVE, Fábio Pinto, ao relembrar que “os bombeiros não são apenas um pilar do sistema, são, em muitos territórios, a última garantia de proximidade e de protecção às populações” e, “particularmente no Interior do país onde as distâncias são maiores e os recursos mais escassos, os bombeiros são muitas vezes a única resposta possível”.
Nesse sentido, defendeu que “o que se exige agora é acção que valorize, que dignifique, que permita às associações e corpos de bombeiros ultrapassar, de forma efectiva, as marés que diariamente enfrentam”. Fábio Pinto aproveitou a presença dos dirigentes da LBP para lhes entregar “uma missiva dos bombeiros e da AHBVE onde se sistematiza algumas das preocupações e se reforça a necessidade de encontrar soluções concretas para os desafios aqui são conhecidos de todos”.
Por seu lado, o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, considera que “o sistemas de Protecção Civil está a caminhar para o colapso”, como o provaram os recentes incêndios e as cheias. Criticou ainda o Estado por delegar competências às autarquias mas “esquece-se de enviar o cheque”. O autarca aproveitou para lançar, mais uma vez, o desafio de que “é urgente um pacto de regime para a protecção civil nacional”.
Logo após a sessão de abertura da reunião do Conselho Nacional, a LBP distinguiu com a medalha dos 630 anos dos Bombeiros o antigo presidente da AHBV Egitanienses, Álvaro Guerreiro, o actual presidente da Direcção da AHBV Egitanienses, Fábio Pinto, e o comandante dos Voluntários da Guarda, Marco Lucas.












