Terça-feira, 3 Novembro, 2026
Google search engine
Início"Lugares assombrados" e "Obras azarentas"A "casa do medo" em Lagarinhos (Gouveia)

A “casa do medo” em Lagarinhos (Gouveia)

“Lugares assombrados” e “Obras azarentas” da região Centro (2)


Falta-lhe telhado, caixilhos e janelas. É conhecida por “casa do medo” e situa-se em Lagarinhos, no concelho de Gouveia. Diz a lenda que quem tentar acabar a construção do imóvel acaba por morrer. A história desta casa inacabada, que se avista da estrada e que mais parece um castelo, tem motivado diversas reportagens e faz parte de um livro sobre o Portugal assombrado.

Reza a lenda que certo dia um agricultor abastado no seu leito de morte mandou chamar os seus filhos, pedindo-lhes que acabassem a “casa do prazo”, situada numa das suas propriedades, na aldeia de Lagarinhos. Consta que os herdeiros diretos deste pedido não o puderam cumprir por falta de tempo e dinheiro. À casa faltava apenas a última placa, o telhado e as janelas para ficar concluída. O povo conta que já vários proprietários tentaram terminá-la, mas todos se ficam pela tentativa.

«Quando é para a acabar, morrem», garantiu Jacinta Borges, em Maio de 2000, ao jornal “Terras da Beira” (extinto em Janeiro de 2023). No texto sobre “Lugares de Medo”, assinado pela então jornalista Susana Adaixo, é referido que, aproveitando-se da casa ser o poiso habitual dos morcegos, os jovens gritavam nas caves, a voz ecoava e assustava os mamíferos, que em fuga pregavam assustavam quem por ali passasse. Este facto, associado ao passado da casa e da morte dos seus proprietários, fez com que a “casa do prazo” passasse a ser conhecida por “casa do medo”.

Como se pode ler na notícia do extinto semanário, Jacinta Borges contou que muito brincou ali em criança, apontando para a gigantesca árvore, ao lado da casa, e que era ali que todas as tardes merendava o lanche que trazia da escola. Mesmo nessa altura, garante, nunca sentiu medo. «Até cheguei a dormir muitas vezes com a minha tia e mesmo à noite, nunca me apercebi de nada.»

Questionada sobre a lenda contada em torno da casa, a proprietária, Lurdes Vicente, foi peremptória em assegurar que era tudo mentira e que só não acabava a casa porque não tinha dinheiro. «Dormi muitas noites lá sozinha e nunca tive medo», realçou.

Refere o jornal que Lurdes Vicente viveu naquela casa mais de seis anos como arrendatária e um dos três filhos até nasceu ali. Só quando regressou da Alemanha, onde esteve emigrada, é que resolveu comprar a casa. Contou ainda que já teve propostas que bastassem para a vender a “casa do medo” cuja idade andava perto dos cem anos, mas Lurdes Vicente garantiu que não vendia até morrer, até porque, uma das suas filhas, emigrada na Suíça, ficou interessada na casa e na quinta que a rodeia.

Artigos Relacionados
- Advertisment -
Google search engine

Artigos mais populares