Segunda-feira, 26 Outubro, 2026
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Delegação da CERCIG vai hoje pedir explicações à Câmara da Guarda sobre o anunciado cancelamento do protocolo respeitante à Prestação Social Única

Uma delegação representante da CERCIG – Cooperativa de Solidariedade Social da Guarda, constituída por cerca de 60 pessoas, deverá marcar presença na tarde desta Segunda-feira na reunião do executivo municipal da Guarda, que hoje é pública, para pedir uma justificação sobre a possibilidade de ser cancelado o protocolo respeitante a agora denominada Prestação Social Única (anteriormente designado Rendimento Social de Inserção). Ao que o jornal “Todas as Beiras” sabe, o assunto chegou a ser abordado na reunião anterior pelo vereador João Prata, da coligação PSD/CDS/IL, com base numa comunicação da Cercig a dar conhecimento de que a autarquia tinha enviado um “email” à instituição a informar que, com base na lei, iria romper o contrato. Em resposta, o presidente do município, Sérgio Costa, respondeu que a autarquia tem actualmente condições para assumir as competências que estavam direccionadas para a para aquele instituição, poupando, assim, cerca de 200 mil euros por ano.

Este caso deverá marcar o início da reunião do executivo desta tarde, que tem como ponto da agenda de trabalhos, entre outros, o relatório preliminar relativo aos trabalhos arqueológicos e valor patrimonial da chamada “Casa da Legião”, situada em frente à porta principal da Sé Catedral.

De recordar que, de acordo com informação prestada em Julho de 2022, na consulta pública sobre o futuro daquele edifício a proposta vencedora, que obteve 172 votos, defendia a sua demolição para dar lugar a uma nova praça e uma área de estacionamento espaço. A segunda proposta com mais votos (96) apontava para a reconstrução da casa.

Em Março do ano passado, as associações para a divulgação e salvaguarda do património cultural – PATRIMÓNIO.Guarda e HEREDITAS – solicitaram ao executivo municipal, no início da reunião, a protecção da conhecida antiga “Casa da Legião” e que, depois de recuperada poderia albergar «o futuro Museu da História da Cidade».

José Quelhas Gaspar, vice-presidente da PATRIMÓNIO.Guarda, que esteve em representação das duas associações, fez inicialmente a apresentação do «solar da família Costa e da figura do deão da Sé da Guarda, D. Álvaro da Costa, que nele viveu entre 1563 e 1593». Na intervenção, Quelhas Gaspar procurou «desfazer o equívoco que tem levado muitos cidadãos a pensar que estão perante uma casa sem valor histórico, com pouco mais de cem anos, confundindo o Solar com os anexos construídos no início do século XX».

«O aspecto degradado que nos é dado ver, e que provém essencialmente dos seus anexos, tem levado algumas pessoas a pensar que não vale a pena recuperar a casa porque parece não ter mais do que 100 anos de História”, disse o vice-presidente da associação, admitindo que «as pessoas têm alguma razão», justificando que «aquelas paredes altas que dão para a rua do lado de baixo, a Rua dos Cavaleiros, apenas têm uns 100 anos». Mas, explicou, «esses são os anexos do Solar», adiantando que têm «prova de que a construção de um anexo foi aprovada em 1918». «No entanto, e para desfazer o equívoco gerado, vimos dizer que a parte antiga do solar tem mais de 450 anos» e que «remonta aos anos 60/70 do século XVI», disse Quelhas Gaspar.

E acrescentou que têm «evidências disso», a começar pelos «dois arcos ogivais» e pela «pedra de armas dos Costa, do século XVI, o que se reconhece pelo formato do escudo e pela divisória a meio, ao alto formando simetria, características que desaparecem nos séculos subsequentes». Quelhas Gaspar realça que «é um brasão único no país, pela estilização de umas costas (ou costelas – tal como, paralelamente, o brasão dos Cabral apresenta cabras)».

As duas associações pediram à Câmara que «reconsidere e proteja este valor deixado à cidade por aquele que foi o Deão da Sé (deão era a segunda figura mais importante da diocese), tendo sido ele o primeiro da 3ª geração da família Costa, que inicialmente ali viveu» e que, «mais recentemente», também viveu Amândio Paul, que foi director do então Sanatório da Guarda.

Em resposta, o presidente da Câmara, Sérgio Costa, recordou que foi criada uma comissão para verificar o valor patrimonial do edifício e que já pediu «condições de segurança para avaliar a casa». Adiantou que «o processo técnico está a decorrer para que esse levantamento possa ser feito de uma forma exaustiva com vista a uma conclusão».

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