Há perguntas que nascem quase em tom de brincadeira, mas que acabam por dizer
muito mais do que parecem. Esta é uma delas.
Quem é aquele senhor de branco ao lado do Gustavo Brás?
A imagem faz-nos sorrir. A referência é óbvia — uma espécie de figura omnipresente,
quase papal, que parece estar em todo o lado ao mesmo tempo. Mas a piada tem fundo
de verdade. Porque, no caso do Todas as Beiras, há mesmo alguém que se desdobra em
várias presenças, que aparece onde a notícia acontece e, muitas vezes, até antes dela
acontecer.
À primeira vista, é apenas uma pessoa. Mas quem acompanha o jornal percebe
rapidamente: não é só isso. É repórter, fotógrafo, editor, presença constante no terreno.
É o primeiro a chegar, o primeiro a registar, o primeiro a publicar.
Num distrito como o da Guarda, onde durante anos a informação local foi escassa ou
tardia, esta energia faz toda a diferença. Não se trata apenas de estar — trata-se de
querer estar. De valorizar o que acontece cá, de dar palco ao que muitas vezes passaria
despercebido.
O Todas as Beiras, em apenas um ano, conquistou algo raro: tornou-se o órgão de
comunicação social online de referência no distrito da Guarda. E isso explica-se, em
grande parte, por essa capacidade quase “milagrosa” de presença permanente.
A metáfora do “senhor de branco” funciona, então, como uma piscadela de olho. Não é
santidade — é dedicação. Não é ubiquidade divina — é trabalho incansável. É aquela
vontade de não perder nada, de contar tudo, de dar voz a todos.
Mas seria injusto reduzir o projeto a uma só figura. Porque o Todas as Beiras é mais do
que isso. É uma plataforma que cresce com contributos, com opiniões, com olhares
diferentes. É um espaço onde a região se vê, se reconhece e se discute.
Ainda assim, há símbolos que ajudam a contar histórias. E este, com humor, diz muito:
há alguém que está sempre lá. E quando não está, parece que devia estar.
Num tempo em que a informação circula a grande velocidade mas nem sempre com
profundidade, projetos como o Todas as Beiras mostram que o jornalismo de
proximidade continua a ter um valor insubstituível.
Por isso, da próxima vez que alguém perguntar, em tom de graça, “quem é aquele
senhor de branco ao lado do Gustavo Brás?”, talvez a melhor resposta seja simples:
Não é um milagre.
É trabalho.
E é isso que faz a diferença.
Neste primeiro aniversário, fica uma palavra clara: parabéns ao Todas as Beiras pelo
caminho feito e pelo impacto já alcançado. Que este seja apenas o início de um percurso
longo, com a mesma energia, proximidade e — porque não — essa capacidade quase
“divina” de estar em todo o lado.




