As palavras que dão título a esta crónica terão sido ditas em família e entre amigos nos anos 60 do século passado.
Ir embora significava deixar os filhos, a mulher, a terra e os amigos, numa mágoa misturada com esperança e coragem, para partir em demanda de melhor vida nas terras da França e da Alemanha.
Vamos embora dizia-se em surdina, para que não chegasse a certos ouvidos, com medo que alguém viesse cortar essa vontade de sair da pobreza.
E a cada um que saía, a terra ficava mais pobre… ainda que depois se tornasse mais rica.
“Este parte, aquele parte, e todos, todos se vão (…) tens campos de solidão”.
Foi assim durante décadas, o que levou a que o mato tomasse o lugar de hortas e árvores de fruto e o eucaliptal deixasse mais dinheiro que castanheiros e carvalhos.
As escolas foram fechando por haver cada vez menos jovens e as casas e ruas, nas aldeias,
tornaram-se sombras de outros tempos, que a natureza foi reclamando.
Vamos embora, dizia-se entre os voluntários quando a sirene tocava e a população se unia
para combater o fogo, assim que o vigia lançava o alerta lá do cimo da serra. E iam muitos, até dispensados pelos patrões…
O conhecimento do comandante local, a vontade e coragem de quem (como agora) enfrentava as chamas fazia o resto, debelando o fogo. Com ordens dadas diretamente e não sopradas por quem não vê no terreno a finta das chamas.
Três anos depois continuo a ver bombeiros à espera de uma ordem para fazer aquilo que
melhor sabem: apagar fogo. O que agora ouço, vivi-o em Sameiro quando à beira da estrada as chamas se intensificavam e os soldados da paz me disseram não poder atuar sem ordens.
Vamos embora… talvez sejam estas as palavras que muitos teriam de dizer ao olhar para a
terra queimada fruto de um carrossel que não souberam coordenar.
Se tivessem coragem!




