Sexta-feira, 12 Dezembro, 2025
Google search engine
InícioOpiniãoQuo vadis, Mundus?*

Quo vadis, Mundus?*

O Dia de Todos os Santos, assinalado no início de Novembro, é celebrado
um pouco por todo o mundo de acordo com as crenças e tradições de cada
país. Em Portugal, em várias regiões era costume que pequenos grupos de
crianças saíssem à rua, bem cedo, para pedir, porta a porta, o “Pão por
Deus”. Em troca da recitação de versos recebiam vários alimentos ou
dinheiro. Finda a colecta, e o almoço, rumava-se ao cemitério para colocar
flores nas campas dos familiares falecidos.
A tradição terá ganhado nova força em Lisboa, em 1756, um ano depois do
terramoto que matou milhares de pessoas e deixou a população da cidade
ainda mais pobre.
Mais pobre ficou igualmente esta tradição. O saudável “Pão por Deus” foi
substituído pelo guloso Halloween, os versos pela ameaçadora “doçura ou
travessura”. Resta o porta a porta na pedinchice.
O Natal seguiu-lhe o mesmo destino, com o Menino Jesus a ser
completamente destronado pelo simpático velhinho de barbas brancas e
vestido de vermelho que bebe Coca-cola (passo a publicidade), e o
Entrudo, que se despiu para o alegre Carnaval, salvo raras e louváveis
excepções.
Este importar de costumes, tradições e modas não se limita a estes
exemplos. É sobretudo a nível musical que o fenómeno merece uma séria
reflexão. A “funknização” das crianças portuguesas é deveras preocupante,
muito mais que o uso das Burkas. Existem letras que fazem corar de
vergonha os trocadilhos maliciosos do Quim Barreiros ou a Rosinha, entre
outros, e que deveriam fazer questionar os educadores se são estes os seres
que querem deixar ao planeta.
Mas num país onde crianças de três anos vibram com o Cavalinho e
desconhecem a Saia da Carolina e que a Festa de Finalistas da primária seja
mais importante que o aproveitamento escolar está tudo explicado.
Se somos tão bons a importar modelos, por que não seguir os exemplos
educacionais do Japão ou dos países nórdicos?
Mais do que as crianças que não temos preocupa-me severamente as que
temos, e mais ainda os responsáveis pela sua educação.

*Para onde vais, Mundo?

Artigos Relacionados
- Advertisment -
Google search engine

Artigos mais populares