Há mais de 35 anos, um episódio de vento extremo, ocorrido ao princípio da noite de 16 de Dezembro de 1989, deixou um rasto de destruição na Cunha Alta, uma aldeia do concelho de Mangualde. O fenómeno, apelidado na altura como “mini-tornado”, danificou muitas habitações, arruamentos e derrubou várias árvores numa zona florestal próximo da localidade.
Devido à situação de catástrofe provocada pelo forte vento que se fez sentir ao final da tarde daquele dia 16 de Dezembro de 1989, as eleições autárquicas, que estavam agendadas para o dia seguinte, tiveram de ser adiadas, vindo depois a realizar-se uma semana depois, na véspera do dia de Natal.
Nesse dia 24 de Dezembro, apesar da situacão de catástofre que ainda se vivia na localidade, a população de Cunha Alta foi às urnas calmamente. Dos 190 inscritos, votaram 81 pessoas, tanto para a Câmara Municipal como para a Assembleia Municipal (a eleição para a Junta de Freguesia foi efectuada em Janeiro em plenário de cidadãos). Na votação para a Câmara os resultados foram os seguintes: PS 54, PSD 14, CDS 5 e PCP/PEV 3, tendo ainda havido quatro nulos e um branco. Para a Assembleia Municipal, o PS obteve 51 votos, o PSD 18, o CDS 4 e o PCP/PEV 3. Os resultados eleitorais não influenciaram a atribuição de nenhum mandato para a Câmara e para a Assembleia Municipal.
Um dia antes destas eleições, o então presidente da Câmara de Mangualde, o socialista Mário Videira Lopes, considerou « incrível» que o Governo, que na altura era liderado pelo social-democrata Cavaco Silva, ainda não tivesse actuado em Cunha Alta e Cerveira, volvida uma semana sobre os «trágicos acontecimentos» ocorridos naquelas povoações. Referiu que «apenas o Centro Regional de Segurança Social e o patriarcado de Viseu» tinham avançado com «ajudas efectivas às populações».
O então autarca afirmou ainda que não cabia à Câmara Municipal atribuir verbas para reconstruções, dado não ser possível a sua inscrição no orçamento daquela ano. «O que a Câmara tinha de fazer, já fez, nomeadamente a prestação dos primeiros auxílios, assim como a entrega de alguns materiais de construção, como por exemplo telhas», disse. Chamando a atenção para o contraste com o que se passava em Mangualde, Mário Videira Lopes referiu que em idêntica situação ocorrida pouco tempo antes no no Algarve, «o ministro [do Planeamento e da Administração do Território] Valente de Oliveira depressa se deslocou para tomar contacto com a ocorrência, tendo o Governo posto disposição uma verba para fazer face aos prejuízos».




