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Governo pretende comprar a participação do Grupo Pestana na Enatur, desconhecendo-se se esta situação vai interferir com o futuro do Hotel Turismo da Guarda

Numa altura em que há um impasse quanto ao Hotel Turismo da Guarda, o governo comunicou recentemente ao Grupo Pestana, concessionário das Pousadas de Portugal, a intenção de comprar a participação de 49% que o grupo detém na Enatur desde 2003, através do Turismo de Portugal. Desconhece-se se esta situação poderá ou não interferir com a requalificação do Hotel Turismo da Guarda, tendo em conta que a intervenção será feita na sequência do memorando de entendimento, assinado no dia 24 de Janeiro de 2023, entre o Turismo de Portugal (TP) e a Enatur, entidade concessionária das Pousadas de Portugal, que é detida pelo TP e pelo Grupo Pestana Pousadas de Portugal.

O Governo pretende comprar a participação de 49% que o Grupo Pestana detém na Empresa Nacional de Turismo (Enatur) desde 2003, através do Turismo de Portugal, devendo esta situação ter de ficar resolvida antes de terminar o contrato de concessão de exploração da rede de pousadas, que vai até final de 2026. De acordo com o semanário “Expresso”, que avançou Segunda-feira com a notícia, «mesmo sendo “obrigado” a vender a sua participação de 49% na Enatur, ou mesmo que a exploração destas unidades turísticas passe para outras mãos na sequência de um novo concurso, o grupo Pestana defende que continuará a manter pelo menos 10 Pousadas no seu portefólio (9 das quais já em operação, entre as 35 Pousadas que compõem a rede actual), incluindo a “jóia da coroa” que, de todas, é a que gera maior rentabilidade: a Pousada de Lisboa, no Terreiro do Paço».

Como adianta o semanário, além da Pousada de Lisboa, no Terreiro do Paço, deverão permanecer com o grupo, e fora de um futuro concurso, também a Pousada de Alfama, igualmente em Lisboa, a Pousada de Viseu, as duas Pousadas do Porto – localizadas no Palácio do Freixo e na Rua das Flores -, a Pousada da Cidadela de Cascais, a Pousada Vila Óbidos, a Pousada de Vila Real de Santo António, no Algarve, e ainda a Pousada da Madeira, conhecida como Pestana Churchill Bay, revelou fonte da administração do grupo. São, adianta, pousadas que «têm contratos próprios com o grupo Pestana», e não com a Enatur.

As Pousadas que poderão integrar o novo concurso, a lançar pelo Governo, «representam apenas cerca de 25% da faturação da rede, isto significa que aproximadamente 75% da faturação provém das Pousadas detidas ou geridas pelo Pestana Hotel Group ao abrigo de contratos independentes, que têm enquadramentos próprios e estão fora da concessão que termina em 2026», assegura ainda ao “Expresso” fonte da administração do grupo Pestana.

Mas a compra de participação que o Turismo de Portugal poderá não gerar consenso dentro do grupo Pestana, cujo presidente executivo, José Theotónio, avançou esta segunda-feira ao “Negócios” que o grupo não está interessado em vender a sua participação de 49% na Enatur, mas antes em comprar ao Estado a restante posição de 51%.

Hotel Turismo da Guarda será ou não afectado?

Desconhece-se se a pretensão do Governo comprar a participação do Grupo Pestana na Enatur poderá interferir com a recuperação do Hotel Turismo da Guarda, tendo em conta que está previsto que a intervenção será feita na sequência do memorando de entendimento, assinado no dia 24 de Janeiro de 2023, entre o Turismo de Portugal (TP) e a ENATUR, entidade concessionária das Pousadas de Portugal, que é detida pelo TP e pelo Grupo Pestana Pousadas de Portugal.

Perante o impasse que se mantém e tendo em conta a notícia avançada Segunda-feira pelo “Expresso”, o jornal “Todas as Beiras” tentou obter uma informação sobre este novo desenvolvimento, mas até agora não houve qualquer resposta.

Em Fevereiro deste ano, o Município da Guarda deu a conhecer que numa sessão de trabalho entre o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, o novo Presidente da ENATUR, Paulo Pereira Coelho, e o vereador do Turismo Rui Melo, foi assumido o compromisso do secretário de Estado do Turismo na recuperação total do edifício do antigo Hotel Turismo, e não apenas parcial, como inicialmente ponderado no contrato de 2023. Os dirigentes asseguraram ao presidente da Câmara da Guarda que «o processo está em curso e que a solução final» seria «apresentada até ao final do primeiro trimestre deste ano».

O assunto foi novamente abordado por Sérgio Costa aquando da tomada de posse do novo executivo municipal, que continua a liderar, tendo na ocasião, no passado dia 3, referido que é «um assunto que o Estado tem de resolver de uma vez por todas» e que «não há mais desculpas nem adiamentos possíveis ».«E se o Estado não for capaz de o fazer, que o devolva à Guarda, porque nós saberemos resolver o que Lisboa insiste em adiar», assegurou.

Perante o impasse que se mantém e tendo em conta a notícia avançada Segunda-feira pelo “Expresso”, o jornal “Todas as Beiras” tentou obter uma informação sobre este novo desenvolvimento, mas até agora não houve qualquer resposta.

Grupo parlamentar do PS questionou o Governo sobre o Hotel Turismo

O grupo parlamentar do PS na Assembleia da República apresentou no passado dia 19 um requerimento a questionar o ministro da Economia e da Coesão Territorial sobre o início das obras de requalificação do Hotel Turismo da Guarda.

No requerimento, que tem como um dos subscritores a deputada Aida Carvalho, eleita pelo círculo da Guarda, é recordado que «todo o processo ficou concluído na vigência do XXIII Governo, que cessou funções a 2 de Abril de 2024». «Quais as datas previstas para o início das obras e para a reabertura do Hotel Turismo da Guarda?», questionam os parlamentares socialistas Aida Carvalho, Armando Mourisco, Pedro Coimbra e Hugo Costa.

Recordam que, «em Janeiro de 2024, foi apresentado pela ENATUR o projecto de reabilitação, para um investimento de oito milhões de euros, que faria renascer o Hotel Turismo da Guarda como Pousada de 4 estrelas, com 77 unidades de alojamento».

Em Julho desse ano, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, anunciou na Guarda que as obras iriam ter início «o mais tardar até Janeiro de 2025». Em Outubro, o então ministro da Economia, Pedro Reis, confirmou, também na Guarda, «a priorização» deste compromisso, mas «as obras não começaram e não foi dada qualquer indicação quanto ao seu início».

Os deputados socialistas acrescentam que o grupo parlamentar do PS já tinha questionado a tutela, em 14 de Março, tendo sido respondido, em 30 de Maio, que, «pelo facto de este Governo se encontrar em gestão, informa-se que se continua a diligenciar no sentido de serem reunidas as condições necessárias à integral reabilitação do Hotel Turismo da Guarda».

Os socialistas questionam agora se se «mantém válido o acordo celebrado entre o Turismo de Portugal e a ENATUR para a integração da unidade hoteleira na rede de Pousadas de Portugal» e se «houve alterações ao projecto elaborado pela ENATUR e apresentado à Câmara Municipal da Guarda em Janeiro de 2024». Querem também saber «quais as datas previstas para o início das obras e para a reabertura do Hotel Turismo da Guarda».

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