Como era previsível, os novos desenvolvimentos em redor do processo de requalificação do Hotel Turismo da Guarda, que como o jornal “Todas as Beiras” noticiou, voltou à estaca zero ao ser revogado por acordo mútuo o contrato de arrendamento entre o Turismo de Portugal (proprietária do imóvel) e a Enatur, também foram abordados na reunião de hoje da Assembleia Municipal. A questão foi levantada pelo deputado socialista Miguel Borges, que após admitir que o PS também tem a sua quota parte de responsabilidade no processo, questionou o presidente do município, Sérgio Costa, sobre qual é a actual situação daquela unidade hoteleira e quais são os «próximos passos».
Em resposta, o autarca afirmou que a solução agora adoptada era uma das que tinha sido defendida pelo município. Isto é, «a colocação do imóvel no mercado para reabilitação e requalificação e subsequente utilização como estabelecimento hoteleiro», como é referido na informação prestada pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial à deputada socialista Aida Carvalho.
Depois de afirmar que sabia que «o acordo com a Enatur não ia dar em nada», tanto mais que o contrato de exploração da rede de pousadas vai acabar em 2026, Sérgio Costa salientou que a solução agora definida pelo Governo «é um dos primeiros passos», defendendo que «é preciso acelerar o processo para que seja aberto à comercialização», salientando que o contrato vai acabar este ano.
De recordar que a intervenção que estava prevista para o Hotel Turismo, encerrado desde 2010, vinha na sequência do memorando de entendimento, assinado no dia 24 de Janeiro de 2023, entre o Turismo de Portugal (TP) e a ENATUR, entidade concessionária das Pousadas de Portugal, que é detida pelo TP e pelo Grupo Pestana Pousadas de Portugal.
Depois de reabilitada, a unidade hoteleira seria integrada na Rede de Pousadas de Portugal. Estava inicialmente previsto que reabrisse ainda em 2025, ano a partir do qual a ENATUR iria pagar ao Turismo de Portugal uma renda mensal de 3.891 euros durante 50 anos, prazo da concessão. Agora, como informou o Governo, volta tudo à estaca zero.
Inaugurado em 1947, o hotel, projectado em 1936 pelo arquitecto Vasco Regaleiro, encerrou em Outubro de 2010 e, em Abril de 2011, foi adquirido pelo Turismo de Portugal à Câmara da Guarda. Aquele unidade hoteleira viria a ser um dos primeiros imóveis colocados a concurso no âmbito do Programa REVIVE. Em Maio de 2018, foi assinado um contrato de concessão para a recuperação e exploração deste imóvel pelo consórcio composto pelas sociedades MRG Property e MRG Construction, mas o projecto não avançou, devido a dificuldades financeiras com que o grupo concessionário se defrontou.
Viria depois a ser lançado um novo concurso que pretendia dar, finalmente, uma nova vida a este emblemático edifício da cidade da Guarda, mas também não teve interessados.
O imóvel viria, em 2023, a ser desafectado do REVIVE, tendo o Governo decidido a sua integração da rede de Pousadas de Portugal e entregue à ENATUR. Agora, volta tudo à estaca zero e vai ser colocado «directamente no mercado para reabilitação e requalificação, e subsequente utilização como estabelecimento hoteleiro».




