Na sequência da notícia avançada pelo jornal “Todas as Beiras” sobre o encerramento das quatro salas de cinema do centro comercial da Guarda que eram geridas pelo Cineplace, a administração do La Vie veio, esta manhã, informar que «o contrato de exploração do espaço de cinemas com o operador Cineplace chegou ao seu termo, pelo que as salas se encontram encerradas».
Em comunicado enviado ao TB, a administração do La Vie esclarece que «o modelo de negócio actualmente exigido implica a garantia de números mínimos de afluência de espectadores, condição que tem sido muito difícil de atingir de forma consistente, nos últimos anos, tendo estas sido as razões apontadas como justificativas do Plano Especial de Revitalização (PER) apresentado pelo operador dos cinemas neste centro comercial».
«A administração do La Vie lamenta este facto, sendo mais um encerramento a somar aos diversos casos ocorridos em 2025, que em muito resultam da alteração dos hábitos de consumo, e do crescimento do mercado das plataformas de streaming, que impactam de forma direta no setor da exibição cinematográfica», refere ainda a administração do La Vie, que «reafirma o seu compromisso em continuar a trabalhar na valorização da oferta do centro comercial, tendo em curso o estudo de novas soluções, e conceitos, que possam responder às expectativas da comunidade local e contribuir para a dinamização da cidade da Guarda e da região».
Como o jornal “Todas as Beiras” noticiou no passado dia 26 de Dezembro, as quatro salas de cinema Cineplace tinham encerrado logo a seguir ao Dia de Natal e que oficialmente a Widerproperty, empresa gestora do centro comercial, informou, num comunicado colado no tolde da entrada do cinema, que seria «por tempo indeterminado, por motivos técnicos e operacionais da própria empresa que detém a marca Cineplace». O jornal pediu na altura mais esclarecimentos à administração não tendo obtido mais pormenores, o que só aconteceu esta manhã, em comunicado, no qual confirma o fim do contrato com a Cinepelace.
Desde a abertura do centro comercial (na altura com a designação de Vivaci) em 2008 que funcionavam quatro salas de cinema sob a alçada da Nos Lusomundo, tendo encerrado em Junho de 2016. Um mês depois, as salas viriam a reabrir sob a alçada do Cineplace, impedindo, assim, que a Guarda ficasse novamente sem espaços exclusivos para a exibição de filmes, como tinha acontecido em 1987, quando fechou portas o emblemático “Cine-Teatro da Guarda” e, em 2006, com o Cine-Estúdio Oppidana.
Avoluma-se a crise no negócio das salas de cinema
A crise neste tipo de negócio em Portugal tem-se avolumado nos últimos meses. Desde o início do ano e até Outubro, Portugal já tinha perdido 37 ecrãs de cinema e antes do final de Dezembro poderiam chegar a um total de 46, como noticiou recentemente o jornal “Público”, fruto do encerramento dos multiplex, ou conjuntos de multisalas, da Nos, Cineplace e UCI nas localidades da Maia, Vila Nova de Gaia, Viseu, Tavira, Guia, Seixal e Funchal. NO final de 2025, confirmou-se também o encerramento das 12 salas da Nos Cinemas, que funcionavam no complexo Alavaláxia, em Lisboa.
Em Outubro, a agência Lusa tinha noticiado o fecho dos cinemas do MaiaShopping e do Tavira Grand Plaza, ambos da Nos Cinemas. Vieram depois a fechar, em Setembro, as seis salas do Fórum Viseu, também da Nos Cinemas. Viseu contava até essa altura com três recintos, responsáveis por levar cinema a 77.501 espectadores; em funcionamento estavam apenas dois, explorados pela Nos, precisamente as seis salas do Fórum Viseu e as restantes seis no shopping Palácio do Gelo; o terceiro recinto contabilizado pelo ICA é o Cinema Ícaro, encerrado desde 2005 e alvo de várias iniciativas de cidadãos apelando à autarquia para que fosse reactivado.
Até ao final de 2024, segundo dados reportados ao Instituto do Cinema Audiovisual (ICA), existiam 174 concelhos portugueses sem sessões de cinema. De acordo com os dados consultados pelo TB, nesse ano, a afluência às oito salas de cinema que existiam no distrito da Guarda, atingiu os 37.911 espectadores, resultando numa receita bruta de 178.819 euros.
Questionado pelo jornal “PÚBLICO” em Outubro sobre a sua posição perante este encolhimento da oferta e aumento de assimetrias regionais, o ICA respondeu que estava a acompanhar a situação da exibição e manifestou a convicção de que «a solução terá de envolver não só o Estado central através da administração indirecta do ICA, mas também os poderes locais», conforme cada «situação concreta».




