Terça-feira, 10 Março, 2026
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Governo quer um levantamento de espaços no país que possam ser adaptados para exibição cinematográfica

Numa altura em que a Guarda e muitas cidades do país estão sem salas de cinema comercial, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto deu a conhecer que pretende fazer um levantamento de espaços existentes no país que possam ser adaptados para exibição cinematográfica e quer capacitar mais pessoas para programarem cinema. Segundo uma notícia da agência Lusa, o anúncio foi feito na semana passada pela ministra Margarida Balseiro Lopes, no decorrer de uma sessão pública, em Lisboa, «de auscultação sobre a exibição cinematográfica em Portugal».

«Queremos valorizar os equipamentos existentes e que não fique na dinâmica dos grandes centros urbanos», disse a governante, que sublinhou a importância da figura do programador de cinema e anunciou, para o terceiro trimestre deste ano, um programa de capacitação de programadores, «com foco especial junto das equipas dos técnicos municipais». Esta formação, cuja primeira fase de candidaturas será aberta até o final do segundo trimestre, vai ser assegurada pelo Instituto do Cinema e Audovisual (ICA), pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais e em estreita colaboração com a Direcção-Geral das Artes e «privilegiando os espaços que integram» a Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP)

Na mesma sessão, o director-geral das Artes, Américo Rodrigues, disse que 73 dos 103 auditórios da RTCP têm equipamento actualizado para exibição de cinema, obtido no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência, e 81 têm programação de cinema. Também 22 equipamentos credenciados da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea «tiveram apoio para equipamentos de projecção digital de cinema [..] sempre com programadores e mediadores».

O Ministério da Cultura, Juventude e Desporto quer ainda promover, até ao final do segundo trimestre, um estudo sobre a relação dos portugueses com o cinema, e reforçar os meios de acção do Plano Nacional de Cinema, embora não tenha especificado quais.

Para além disso, quer também alterar o processo de decisão sobre desafectação de actividade das salas de cinema e envolver os municípios e o Instituto do Cinema e Audovisual (ICA). «Vamos procurar densificar e estabelecer os passos necessários para que estes pedidos não sejam um mero cumprimento de uma obrigação legal e considere o impacto no território», acrescentou a ministra.

Guarda sem salas de cinema comercial desde o último Natal

Tal como acontece em muitas outras cidades do país, a Guarda permanece sem qualquer espaço de cinema comercial e ainda nada se sabe se vai abrir algum espaço no centro comercial “La Vie”, onde até 25 de Dezembro do ano passado funcionavam existiam quatro salas com essas funções. De recordar que na sequência da notícia avançada pelo jornal “Todas as Beiras” dando conta do fecho desses espaços, a administração do centro comercial viria a informar que «o contrato de exploração do espaço de cinemas com o operador Cineplace chegou ao seu termo». No comunicado, adiantava que «o modelo de negócio actualmente exigido implica a garantia de números mínimos de afluência de espectadores, condição que tem sido muito difícil de atingir de forma consistente, nos últimos anos, tendo estas sido as razões apontadas como justificativas do Plano Especial de Revitalização (PER) apresentado pelo operador dos cinemas neste centro comercial». A administração salientava que o fecho daquelas salas, a exemplo do que tem acontecido em diversos pontos do país, resultam da «alteração dos hábitos de consumo e do crescimento do mercado das plataformas de streaming, que impactam de forma directa no sector da exibição cinematográfica».

Desde a abertura do centro comercial (na altura com a designação de Vivaci) em 2008 que funcionavam quatro salas de cinema sob a alçada da Nos Lusomundo, tendo encerrado em Junho de 2016. Um mês depois, as salas viriam a reabrir sob a alçada do Cineplace, impedindo, assim, que a Guarda ficasse novamente sem espaços exclusivos para a exibição de filmes, como tinha acontecido em 1987, quando fechou portas o emblemático “Cine-Teatro da Guarda” e, em 2006, com o Cine-Estúdio Oppidana.

Avoluma-se a crise no negócio das salas de cinema

De acordo com os dados mais recentes do ICA, a exibição de cinema em Janeiro contava com 450 salas, o que significou menos 112 salas face a 2025. Com o encerramento de salas ocorrido nos últimos meses, há cinco capitais de distrito sem exibição comercial regular de cinema: Beja, Bragança, Guarda, Portalegre e Viana do Castelo. Em 2025, as salas de cinema registaram cerca de 10,8 milhões de espectadores, o que representa o valor mais baixo de audiência desde 2004, excetuando-se os anos da pandemia da covid-19 (2020-2022).

Em Outubro último, a agência Lusa tinha noticiado o fecho dos cinemas do MaiaShopping e do Tavira Grand Plaza, ambos da Nos Cinemas. Vieram depois a fechar, em Setembro, as seis salas do Fórum Viseu, também da Nos Cinemas. Viseu contava até essa altura com três recintos, responsáveis por levar cinema a 77.501 espectadores; em funcionamento estavam apenas dois, explorados pela Nos, precisamente as seis salas do Fórum Viseu e as restantes seis no shopping Palácio do Gelo; o terceiro recinto contabilizado pelo ICA é o Cinema Ícaro, encerrado desde 2005 e alvo de várias iniciativas de cidadãos apelando à autarquia para que fosse reactivado.

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