Foi apresentado esta tarde o catálogo da exposição “Mãos Inquietas, Mãos indiscretas”, da autoria de Emília Barbeira, que está patente na ExpoEcclesia, na Guarda, desde o passado mês de Novembro até ao próximo dia 6 Maio. A mostra reúne peças criadas pela professora e bordadeira que sempre olhou para as mãos e as linhas como um ponto de partida para criar um objecto artístico.
«O gosto da representação naturalista e de figuras humanas, característicos da temática ornamental do Bordado de Castelo Branco, são uma presença constante nas suas composições carregadas de simbologia», refere Joana Pereira, técnica superior do Museu da Guarda, no texto publicado no catálogo, adiantando que, «entre os motivos mais recorrentes nas suas composições encontram-se o Cravo – iconograficamente associado à provocação e à virilidade – a Tulipa – símbolo de riqueza e ostentação – e a Peónia – associada à Primavera». A representação de frutos é também recorrente na sua obra e, «entre os motivos mais emblemáticos do Bordado de Castelo Branco, a Árvore da Vida – símbolo de renovação e continuidade – ocupa um lugar de destaque».
«Na representação de figuras humanas, quando a autora dá corpo a uma mulher e a um homem, percebe-se uma subtil dança de olhares e gestos entre o par», escreve ainda Joana Pereira, que salienta que Emília Barbeira, natural do Marmeleiro (concelho da Guarda), também se dedica «à arte sacra, bordando narrativas bíblicas e a leveza etérea dos anjos».
A técnica do Museu da Guarda conta ainda que toda a infância e adolescência da professora e bordadeira «decorreram ao ritmo de uma natureza agreste e resiliente, acompanhadas pelas linhas que, com o auxílio da mão materna, transformava em objectos “luminosos aos seus olhos”» e que «o fascínio por essa matéria prima e, em particular pelo linho, atingiu o ponto alto em 1996, quando se cruzou com as linhas de seda e com o saber-fazer da professora Cândida Tadeu, encontro que viria a marcar de forma decisiva o seu percurso». «A partir daquele instante, ponto a ponto, de forma ininterrupta, Emília Barbeira “bordadeira da vida, do amor e das flores” cria, entre outros labores, bordados sobre linho que posteriormente são aplicados, pelo mestre Alfredo Ferreira, sobre espaldares e coxins de cadeiras, transformando-as em espécimes únicos, irrepetíveis e inconfundíveis», acrescenta Joana Pereira.
«Nos seus bordados, jogos de cores, texturas e pontos, dançam sinfonias onde o que foi se transforma no que é. Uma declaração de individualidade feminina, meticulosamente, trabalhada numa criação que se assemelha a um grão de areia, que embora pequeno, carrega a essência da totalidade», refere, por seu lado, Lina Couto, num dos textos inseridos no catálogo da exposição.
E a autora da exposição escreve que, «ainda sem uma consciência acentuada sobre a importância da arte», sempre olhou «para as mãos e as linhas como ponto de partida para criar um objecto artístico e de preferência luminoso» aos seus olhos. «As linhas fizeram parte da minha infância embora a minha mãe não tivesse todo o tempo do mundo para me ensinar. O trabalho era muito e duro», conta Emília Barbeira, admitindo que assim que lhe solicitava ajuda «desencadeava todos os esforços » para lhe «facultar as ditas linhas» ou lhe «ensinar as seus saberes» auxiliando-a na concretização dos seus «sonhos buliçosos».







