Domingo, 25 Outubro, 2026
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Movimento MUNDA defende diálogo entre a APA e as três CIM’s do Centro para gerir a bacia hidrográfica do Mondego

A ausência de uma representação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) durante o primeiro congresso “Mondego, que futuro para esta bacia hidrográfica?”, que decorreu Sábado em Viseu e que foi co-organizado pelo Movimento Unidade e Defesa da Bacia Hidrográfica do Mondego (MUNDA), foi uma das críticas evidenciadas durante o encontro pelos dirigentes do MUNDA, António Minhoto e Jorge Gouveia Monteiro. Também a «fraca adesão» ao congresso de responsáveis políticos, alguns dos quais só marcaram presença na sessão de abertura mereceram reparos por parte de Jorge Gouveia Monteiro.


A necessidade de haver reflorestação e uma gestão democrática da bacia hidrográfica do Mondego foram algumas das conclusões deste encontro, que vão agora ser enviadas aos autarcas, à APA e também à Presidência da República «para que este congresso tenha continuidade e conheçam os contributos valiosos que aqui foram deixados por parte de pessoas conhecedoras, como também são os académicos que participaram», referiu o dirigente do MUNDA.

A primeira crítica à ausência da APA foi logo realçada no início do congresso por António Minhoto, tendo depois sido subscrita por Jorge Gouveia Monteiro, que, em declarações à agência Lusa, considerou que «o actual sistema de uma agência que só presta contas ao governo [APA)] e ignora olimpicamente congressos como este – foi convidada em Maio ou Junho e não esteve ninguém hoje – e que só surge quando há broncas, como as cheias de Fevereiro, não serve, é um sistema gasto». Defende que «enquanto não houver regiões administrativas – a bacia hidrográfica do Mondego coincide, quase totalmente com as Beiras – e se houver uma região Centro com órgãos democraticamente eleitos tem de ser a região a gerir a bacia». E acrescentou que, enquanto não há regiões, «tem de haver um diálogo muito intenso entre os serviços regionais da APA e, pelo menos, as três comunidades intermunicipais» (CIM) abrangidas pela bacia como são a da Região de Coimbra, a de Viseu e Dão Lafões e a das Beiras e Serra da Estrela».

Como era previsível, durante o congresso um dos assuntos em destaque foi a barragem de Girabolhos, projectada para o rio Mondego, abrangendo os concelhos de Seia, Gouveia, no distrito da Guarda, e Mangualde e Nelas, do distrito de Viseu. «Mas nós não queremos o foco nessa ou noutra barragem. A nossa questão é mais abrangente. Tem de haver ponderação a alternativas a grandes obras como são as barragens, isto é, não aceitamos que se anunciem muitos milhões de euros, com muito sacrifício dos portugueses, sem ponderarem alternativas ou complementos», defendeu Jorge Gouveia Monteiro, citado pela Lusa.

Outra das grandes conclusões é a necessidade de haver reflorestação. «A floresta é a barragem primordial nas cabeceiras do rio. É nas montanhas que pode, e deve, ficar a água do rio. Antes de mais nada, porque, se não [for assim], vem tudo por aí a baixo», resumiu o dirigente do MUNDA.

Autarca da Guarda elogia construção da barragem de Girabolhos e defende a necessidade da barragem de Assedasse

Na sessão de abertura deste primeiro congresso, em que marcaram presença o presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo, o vereador com a pasta do Ambiente de Coimbra, Luís Francisco Filipe, o dirigente do MUNDA, António Minhoto, e do autarca da Guarda, Sérgio Costa, foi realçada a importância de «políticas seguidas de acções concretas» para a bacia e as margens do rio Mondego, bem como «nas zonas florestais envolventes que têm sofrido incêndios florestais» nos últimos anos e que, consequentemente, «acabam por ferir o Mondego». O autarca da Guarda não poupou críticas às entidades públicas por não fazerem «nenhuma reflorestação», lamentando que o que tem havido é apenas «a regeneração natural da floresta». Alertou também para a necessidade de ser feita uma aposta na «prevenção e preservação» da natureza e de haver um «trabalho mais eficaz e imediato» após os incêndios, de forma a evitar que a cinza e a madeira queimada ande a navegar no rio Mondego.

Quanto à construção da barragem de Girabolhos, Sérgio Costa elogiou a decisão governamental, tendo realçado a «necessidade da barragem da Assedasse reivindicada há décadas» para que a região da Guarda «passe a ter mais do dobro de capacidade de armazenamento» de água. E realçou que «esta barragem não é um capricho, é uma reserva estratégica, uma segurança contra a seca» e o «potenciar do regadio do Alto Mondego».

Presente também na sessão de abertura, o vereador da Câmara de Coimbra, Luís Francisco Filipe, disse que «há muito tempo» que se discutem «soluções imperfeitas» para a bacia hidrográfica do Mondego e, por isso, «é preciso agir» e exigir, «mas também reconhecer» o que já foi feito, lembrando as últimas cheias em Fevereiro, aquando das tempestades. E defendeu que os autarcas não querem «ser menos destinatários das decisões que são tomadas», mas «ser actores e não figurantes», bem como «ter voz», «ter responsabilidade» e «contribuir para o conhecimento do território».

Quanto à construção da barragem de Girabolhos, Sérgio Costa elogiou a decisão governamental, tendo realçado a «necessidade da barragem da Assedasse reivindicada há décadas» para que a região da Guarda «passe a ter mais do dobro de capacidade de armazenamento» de água
O presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo, elogiou a realização do congresso na cidade
O vereador da Câmara de Coimbra, Luís Francisco Filipe, disse que «há muito tempo» que se discutem «soluções imperfeitas» para a bacia hidrográfica do Mondego e, por isso, «é preciso agir» e exigir, «mas também reconhecer» o que já foi feito
A ausência de uma representação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) durante o primeiro congresso “Mondego, que futuro para esta bacia hidrográfica?” foi uma das críticas evidenciadas por António Minhoto, dirigente do MUNDA
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