Chamo-lhe São Lourenço e há mais de seis décadas que me hipnotiza e atrai.
Aprendi a observá-la, ao longe, a partir da janela da casa do Valazedo ou mais tarde, da varanda, em São Domingos, até parar no último lugar que me faz olhar para o vale glaciário (a sul) ou para a encosta a que dou nome de Santo (a este).
Adivinho lá no alto a velha capela, a que alberga São Lourenço e a quem os carvalhos negrais (centenários) fazem guarda.
Mais abaixo ficam as faias, local de romaria neste tempo de outono e cujas cores douradas se tornaram atrativo turístico, em cerca de uma dúzia de anos.
Quebrei muitas vezes o silêncio desses caminhos, a pé ou de bicicleta, num diálogo com as folha mortas ou a neve que pisava até parar na curva que antecedia a descida até à nacional 232, em São Gabriel.
Era aí, na paisagem que se abria à minha frente que recuperava tempo e sossego ao apreciar o que de mais belo a natureza nos deu, fosse qual fosse a estação do ano.
Lembrei-me da encosta, do Santo e das árvores douradas ao saber que, finalmente, as duas últimas Zonas Especiais de Conservação (ZEC) que faltavam classificar na Área da Rede Natura 2000, foram finalmente concluídas.
Do decreto-lei, sabe-se que Manteigas tem uma área de 13,8% do território da ZEC. Quanto à lei em si, fala-se de uma “zona de compromisso” obtida pelos autarcas do PNSE sobretudo devido à necessidade de ajustar algumas regras à dimensão e características da Serra Mãe.
Homem e Parque Natural deverão sempre coexistir, sem que se anulem na sua plenitude, ainda que o primeiro seja anterior ao segundo, ou talvez fosse melhor dizer que o homem e a serra são uma simbiose.
À margem, ou talvez não: por questões profissionais revisitei por estes dias o manual da 4.ª classe de 1932. Um dos textos falava da Serra da Estrela e era acompanhado por 3 fotos: o Poço do Inferno, O Cântaro Magro e as Caldas de Manteigas em dia de neve. A Serra , manteigas e os seus locais emblemáticos continuam cá.




