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“Casa da Legião”, da Guarda, deverá albergar o futuro “Centro Interpretativo das Catedrais Portuguesas”

A apelidada “Casa da Legião”, situada em frente à porta principal da Sé Catedral da Guarda, deverá, depois de requalificada, albergar o futuro Centro Interpretativo das Catedrais Portuguesas”. Isto mesmo referiu esta tarde o presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, na reunião do executivo municipal, durante a qual foi discutido e votado o relatório preliminar relativo aos trabalhos arqueológicos e valor patrimonial daquele edifício, que, refere o documento, tem valor arquitectónico que justifica a sua preservação. O autarca adiantou que o município vai depois elaborar o projecto para prosseguir aquele objectivo.

De recordar que, de acordo com informação prestada em Julho de 2022, na consulta pública sobre o futuro daquele edifício a proposta vencedora, que obteve 172 votos, defendia a sua demolição para dar lugar a uma nova praça e uma área de estacionamento espaço. A segunda proposta com mais votos (96) apontava para a reconstrução da casa.

Em Março do ano passado, as associações para a divulgação e salvaguarda do património cultural – PATRIMÓNIO.Guarda e HEREDITAS – solicitaram ao executivo municipal, no início da reunião, a protecção da conhecida antiga “Casa da Legião” e que, depois de recuperada poderia albergar «o futuro Museu da História da Cidade».

José Quelhas Gaspar, vice-presidente da PATRIMÓNIO.Guarda, que esteve em representação das duas associações, procurou «desfazer o equívoco que tem levado muitos cidadãos a pensar que estão perante uma casa sem valor histórico, com pouco mais de cem anos, confundindo o Solar com os anexos construídos no início do século XX».

«O aspecto degradado que nos é dado ver, e que provém essencialmente dos seus anexos, tem levado algumas pessoas a pensar que não vale a pena recuperar a casa porque parece não ter mais do que 100 anos de História”, disse o vice-presidente da associação, admitindo que «as pessoas têm alguma razão», justificando que «aquelas paredes altas que dão para a rua do lado de baixo, a Rua dos Cavaleiros, apenas têm uns 100 anos». Mas, explicou, «esses são os anexos do Solar», adiantando que têm «prova de que a construção de um anexo foi aprovada em 1918». «No entanto, e para desfazer o equívoco gerado, vimos dizer que a parte antiga do solar tem mais de 450 anos» e que «remonta aos anos 60/70 do século XVI», disse Quelhas Gaspar.

E acrescentou que têm «evidências disso», a começar pelos «dois arcos ogivais» e pela «pedra de armas dos Costa, do século XVI, o que se reconhece pelo formato do escudo e pela divisória a meio, ao alto formando simetria, características que desaparecem nos séculos subsequentes». Quelhas Gaspar realça que «é um brasão único no país, pela estilização de umas costas (ou costelas – tal como, paralelamente, o brasão dos Cabral apresenta cabras)».

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