A escassas horas de terminar o prazo de de consulta pública da proposta de Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria, que coloca o serviço de urgências pediátricas da Guarda num nível inferior ao Hospital Pêro da Covilhã, a Comissão Política de Secção do PSD da Guarda veio manifestar «o seu absoluto repúdio». Em comunicado, enviado há poucos minutos ao jornal “Todas as Beiras”, a concelhia social-democrata adianta que «apresentará formalmente a sua posição através do exercício do direito de pronúncia que é legalmente concedido».
«Esta classificação ignora o investimento de mais de dez milhões de euros na modernização das infra-estruturas do Departamento de Saúde da Criança e da Mulher do Hospital da Guarda, bem como a excelência dos serviços e a continuidade assistencial prestada há mais de duas décadas, 24 horas por dia, à população pediátrica de todo o distrito», sustenta o pSD local, acrescentando que «o serviço nunca interrompeu o seu funcionamento, ao contrário do que se verifica noutras unidades do país, sendo motivo de orgulho e elemento estratégico de coesão territorial».
A concelhia social-democrata, liderada por Júlio Santos, refere ainda que está «solidária e firme ao lado do Conselho de Administração da ULS [Unidade Local de Saúde] da Guarda, reconhecendo o papel central destes serviços na promoção da equidade e da justiça social». No comunicado, é ainda feito o alerta para «o perigo de uma classificação injusta, orientada por factores alheios à realidade do hospital e influenciada por interesses externos, que poderá forçar, no futuro, a transferência de doentes e, ainda mais grave, pôr em causa a maternidade da Guarda».
«Repudiamos qualquer tentativa de desvalorização ou descaracterização dos serviços da ULS da Guarda através de estudos “ad hoc”, encomendados ou promovidos por bairrismos ou pressões políticas», pode ler-se ainda no comunicado do PSD, que exige «máxima transparência e rigor técnico neste processo, recusaremos sempre que a Guarda seja penalizada por critérios alheios à qualidade, antiguidade e relevância comprovada dos seus serviços».
Proposta de Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria coloca o hospital da Guarda num nível inferior ao Hospital Pêro da Covilhã
De recordar que, como o jornal “Todas as Beiras” já tinha divulgado, a proposta de Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria, que está em consulta até ao final deste dia, propõe uma reorganização dos cuidados pediátricos para garantir que cada criança receba cuidados adequados às suas necessidades e reduzir as desigualdades regionais existentes. Neste documento, elaborado pela Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, o serviço de Urgências pediátricas da Guarda surge classificado num nível inferior ao Hospital Pêro da Covilhã. Enquanto que o da Guarda está no Nível I B, o hospital covilhanense situa-se no Nível II A.
O jornal “Todas as Beiras” tentou obter uma reacção de Rita Figueiredo, presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde da Guarda, mas a dirigente escusou-se a tecer quaisquer comentários.
Como é referido na proposta, os hospitais de nível I B devem assegurar cuidados pediátricos gerais, nomeadamente consulta de obstetrícia, unidade de ecografia obstétrica e ginecológica, «actividade programada em ambulatório», «serviço de Urgência Pediátrica, articulado com a sala de partos (HAP 1), assegurando resposta imediata a situações de emergência» e «internamento de curta duração e internamento de Pediatria Geral, permitindo o acompanhamento e tratamento de situações clínicas agudas que requeiram observação e cuidados continuados».
Quanto aos hospitais de nível II devem assegurar «consulta de Pediatria Geral e Neurodesenvolvimento, proporcionando avaliação e acompanhamento das crianças e adolescentes, incluindo aquelas com necessidades específicas de desenvolvimento», ter “hospital de dia, garantindo a prestação de cuidados programados em regime ambulatório, permitindo o acompanhamento de situações clínicas que não requeiram internamento», assim como «Serviço de Urgência Pediátrica, capacitado para responder a situações agudas e emergentes, com articulação eficiente com outras unidades» e «internamento de curta duração e internamento de Pediatria, incluindo camas para adolescentes».
«Deverão ter pelo menos 1000 partos anuais, um Serviço de Obstetrícia e Ginecologia com capacidade de assegurar todos os cuidados de saúde descritos para os Hospitais de Nível | (para a população da sua área de influência directa), e adicionalmente os cuidados necessários para a resolução de patologia obstétrica e ginecológica mais complexa, com acesso a uma Unidade de Cuidados Intensivos de Adultos», refere o documento.





